Para Lerner, queda de FHC é passageira
Leandro Donatti
De Curitiba
O governador Jaime Lerner (PFL) disse ontem que a queda drástica na popularidade do presidente Fernando Henrique Cardoso (PSDB) é uma questão de momento. O País tem toda a condição de ultrapassar essa situação difícil. Existem projetos e é esperada uma retomada no suporte e na sustentação ao governo federal, declarou o governador, durante passagem pela Assembléia Legislativa, à tarde, em Curitiba.
Lerner não quis polemizar a troca de farpas entre Fernando Henrique e o presidente do Senado, Antonio Carlos Magalhães (PFL-BA). Essa relação (Congresso-governo) quem avalia é o presidente. O que eu defendo é que haja um esforço conjunto dos poderes Executivo e Judiciário para superar esse momento. O governador disse ainda que o Congresso e o governo precisam avançar na aprovação de projetos importantes para o desenvolvimento do País.
Alinhado incondicional do presidente, o governador do Paraná não acredita que os 65% de reprovação ao governo Fernando Henrique, registrados pelo Instituto Vox Populi encomendada pela Confederação Nacional dos Transportes (CNT), tragam reflexos políticos aos governadores aliados. Acho que isso (queda na popularidade) não reflete. Temos de ter maturidade suficiente para entender os momentos pelos quais o governo federal passa.
Lerner mostrou-se ainda confiante na recuperação de caixa, um dos principais motivos apontados para justificar a queda na popularidade do presidente. E voltou a sugerir a Fernando Henrique mais agilidade no processo de capitalização dos fundos de previdência nos Estados. Ajuste fiscal só existe com o controle do déficit previdenciário. Isso sim traz recuperação rápida para os Estados e governo federal, disse.
O governador não quis comentar a postura adotada há um mês pelo PSDB do Paraná, de crítica ao governo federal, mas deixou um recado de que aliado é para as horas alegres e tristes. Lerner não quis fazer relação entre a independência apregoada pelo presidente estadual tucano e senador Alvaro Dias e a queda na popularidade do presidente da República.
Enquanto Lerner tratava de amenizar a rejeição enfrentada por FHC, Alvaro disparava nova bateria de críticas ao governo federal. De Brasília, o senador disse que o presidente chegou no fundo do poço. Pior do que isso é impossível. Alvaro reafirmou o compromisso dos tucanos locais de se manterem críticos ao governo federal, independentemente do apoio emprestado ao presidente nas campanhas de 94 e 98.
Para nós, PSDB do Paraná, essa queda não representa nada. Não posso dizer o mesmo para aqueles que convivem com o poder. Nós estamos à margem desse processo, garantiu Alvaro, numa provocação ao PFL. O senador concordou com as críticas feitas pelo presidente ao Congresso, mas disse que a recíproca é verdadeira. O Congresso é lento, mas o governo é muito mais. O Plano Plurianual do governo saiu oito meses depois de iniciado o segundo mandato do presidente.
Para Alvaro Dias, a nova imagem de FHC é resultado da falta de autoridade, da crise financeira que atinge o País, da lentidão nas decisões e de um governo pouco afirmativo.Governador do Paraná faz defesa incondicional do presidente e acredita que País vai ultrapassar fase difícil
Arquivo FolhaANÁLISELerner: Temos de ter maturidade suficiente para entender os momentos pelos quais o governo federal passa





