Para Jocelito, Belinati é protegido
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quinta-feira, 08 de janeiro de 1998
Leandro Donatti Curitiba 
Arquivo FolhaO mestreAntonio Belinati: O bom mesmo é o prefeito não precisar deste tipo de financiamentoA liberação de uma Antecipação de Receita Orçamentária (ARO) de R$ 5 milhões, pelo Banestado, na última segunda-feira, para a complementação da folha de pagamento do funcionalismo público de Londrina, provocou uma crise de ciúmes no prefeito de Ponta Grossa, Jocelito Canto (sem partido). Alegando discriminação e proteção política em favor do prefeito Antonio Belinati (PDT), ele foi ontem à Assembléia Legislativa pedir a interferência dos deputados da situação junto ao governo do Estado. Canto entende que o apoio anunciado ao governador Jaime Lerner (PFL), com a sua desfiliação do PSDB há cerca de um mês, lhe confere tratamento vip junto ao Palácio Iguaçu.
O prefeito diz que foi surpreendido pela entrevista concedida por Belinati, por telefone, à rádio Tropical de Ponta Grossa, ontem pela manhã. Eu fiquei sabendo que a direção do Banestado liberou dinheiro. Também havíamos pedidouma ajuda de custo, para os mesmos fins, e não fomos atendidos, reclamou. O prefeito de Ponta Grossa diz que pediu em novembro deste ano uma ARO no valor de R$ 1 milhão. Ele alega dificuldades financeiras para o pagamento dos servidores, que estão com os salários atrasados desde novembro.
Queremos pagar o que devemos ainda esta semana. O 13º salário foi pago com dificuldade e o financiamento do Banestado ajudaria a aliviar, observou. A folha de pagamento de Ponta Grossa consome, segundo o prefeito, R$ 2,3 milhões ao mês. A arrecadação média do município em 97 foi de R$ 3,8 milhões e a expectativa para 98 é de que os valores subam para R$ 5 milhões mensais. No próximo dia 13, Canto inicia um processo de demissão. Ao todo, 480 cargos (cerca de 120 aposentados e 12 comissionados) serão colocados à disposição, o que significará economia de R$ 3,5 milhões.
Antonio Belinati disse ontem que o encaminhamento do pedido de ARO foi feito com antecedência de no mínimo três meses ao presidente do Banestado, Manoel Garcia Cid. O prefeito de Ponta Grossa também tem de levar em conta que a liberação desse tipo de recurso não é política, é técnica, dependendo da capacidade de endividamento de cada município, analisou. Belinati confirma que os R$ 5 milhões foram para complementar a folha de pagamento dos servidores.
O prefeito ressalvou, no entanto, que a concessão de AROs às prefeituras não é um bom negócio. Segundo ele, os juros são muito altos e o pedido só deve ocorrer em casos extremos. O bom mesmo é o prefeito não precisar deste tipo de financiamento, alertou Belinati. Ele informou que a folha de pagamento da Prefeitura de Londrina compromete R$ 7 milhões da arrecadação, R$ 5,5 milhões em salários e o restante em encargos trabalhistas.
A assessoria do Banestado fez uma consulta ontem ao Departamento Financeiro do banco, em Curitiba, e informou à Folha que o pedido de ARO para Ponta Grossa não foi feito formalmente pelo prefeito. A resolução que limitou a carteira de crédito do Banestado nos valores fixados em 30 de junho de 97, baixada pelo Banco Central em novembro passado, foi o motivo para a rejeição do pedido. Em novembro, quando a equipe de Canto fez a consulta informal, os créditos já estavam comprometidos na sua totalidade.
O Banestado diz ainda que critérios políticos não são levados em conta na hora de se conceder créditos aos prefeitos.


