Arquivo FolhaO mestreAntonio Belinati: ‘‘O bom mesmo é o prefeito não precisar deste tipo de financiamento’’A liberação de uma Antecipação de Receita Orçamentária (ARO) de R$ 5 milhões, pelo Banestado, na última segunda-feira, para a complementação da folha de pagamento do funcionalismo público de Londrina, provocou uma crise de ciúmes no prefeito de Ponta Grossa, Jocelito Canto (sem partido). Alegando discriminação e proteção política em favor do prefeito Antonio Belinati (PDT), ele foi ontem à Assembléia Legislativa pedir a interferência dos deputados da situação junto ao governo do Estado. Canto entende que o apoio anunciado ao governador Jaime Lerner (PFL), com a sua desfiliação do PSDB há cerca de um mês, lhe confere tratamento ‘vip’ junto ao Palácio Iguaçu.
O prefeito diz que foi surpreendido pela entrevista concedida por Belinati, por telefone, à rádio Tropical de Ponta Grossa, ontem pela manhã. ‘‘Eu fiquei sabendo que a direção do Banestado liberou dinheiro. Também havíamos pedidouma ajuda de custo, para os mesmos fins, e não fomos atendidos’’, reclamou. O prefeito de Ponta Grossa diz que pediu em novembro deste ano uma ARO no valor de R$ 1 milhão. Ele alega dificuldades financeiras para o pagamento dos servidores, que estão com os salários atrasados desde novembro.
‘‘Queremos pagar o que devemos ainda esta semana. O 13º salário foi pago com dificuldade e o financiamento do Banestado ajudaria a aliviar’’, observou. A folha de pagamento de Ponta Grossa consome, segundo o prefeito, R$ 2,3 milhões ao mês. A arrecadação média do município em 97 foi de R$ 3,8 milhões e a expectativa para 98 é de que os valores subam para R$ 5 milhões mensais. No próximo dia 13, Canto inicia um processo de demissão. Ao todo, 480 cargos (cerca de 120 aposentados e 12 comissionados) serão colocados à disposição, o que significará economia de R$ 3,5 milhões.
Antonio Belinati disse ontem que o encaminhamento do pedido de ARO foi feito com antecedência ‘‘de no mínimo três meses’’ ao presidente do Banestado, Manoel Garcia Cid. ‘‘O prefeito de Ponta Grossa também tem de levar em conta que a liberação desse tipo de recurso não é política, é técnica, dependendo da capacidade de endividamento de cada município’’, analisou. Belinati confirma que os R$ 5 milhões foram para complementar a folha de pagamento dos servidores.
O prefeito ressalvou, no entanto, que a concessão de AROs às prefeituras não é um bom negócio. Segundo ele, os juros são muito altos e o pedido só deve ocorrer em casos extremos. ‘‘O bom mesmo é o prefeito não precisar deste tipo de financiamento’’, alertou Belinati. Ele informou que a folha de pagamento da Prefeitura de Londrina compromete R$ 7 milhões da arrecadação, R$ 5,5 milhões em salários e o restante em encargos trabalhistas.
A assessoria do Banestado fez uma consulta ontem ao Departamento Financeiro do banco, em Curitiba, e informou à Folha que o pedido de ARO para Ponta Grossa não foi feito formalmente pelo prefeito. A resolução que limitou a carteira de crédito do Banestado nos valores fixados em 30 de junho de 97, baixada pelo Banco Central em novembro passado, foi o motivo para a rejeição do pedido. Em novembro, quando a equipe de Canto fez a consulta informal, os créditos já estavam comprometidos na sua totalidade.
O Banestado diz ainda que critérios políticos não são levados em conta na hora de se conceder créditos aos prefeitos.

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