Para Jader, prisão foi 'politicagem'
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domingo, 17 de fevereiro de 2002
Agência Estado 
Palmas - O ex-senador Jader Barbalho (PMDB-PA) deixou anteontem, por volta das 23h50, a carceragem da Superintendência da Polícia Federal (PF) no Tocantins, graças a um habeas-corpus obtido junto ao Tribunal Regional Federal da 1º Região, em Brasília. Ele ficou com a prisão preventiva decretada por 15 horas, acusado de envolvimento em fraudes na extinta Superintendência de Desenvolvimento da Amazônia (Sudam).
Jader alegou que a prisão teria sido um ato de politicagem e violência política, ainda fruto dos embates com o ex-senador Antonio Carlos Magalhães (PFL-BA), durante a disputa das eleições para a presidência do Senado, em 2001. Eu sofri várias violências políticas, desde o episódio em que me envolvi no Senado com o senador Antonio Carlos Magalhães, e esse é mais um episódio, disse.
Segundo Jader, a decretação da prisão preventiva, na sexta-feira, pela Justiça Federal do Tocantins, foi um ato eleitoral montado pelo Judiciário. Seguramente, é um episódio daqueles que estão preocupados com os índices de apoiamento da opinião pública no meu Estado, que podem me fazer governador ou senador.
Jader, que renunciou ao mandato em outubro, foi preso em Belém, na manhã de sábado, com outros cinco acusados de participação em operações fraudulentas de desvios de recursos públicos da extinta Sudam atual Agência de Desenvolvimento da Amazônia (ADA).
A liminar judicial favoreceu, além do ex-senador do PMDB do Pará, a contadora Maria Auxiliadora Martins e o ex-presidente da Sudam José Arthur Guedes Tourinho, que também estavam presos na PF do Tocantins. A prisão preventiva foi decretada para 11 acusados, mas apenas seis foram presos.
Segundo Jader, a violência política sofrida por ele quando da decretação da prisão só se justificaria durante a ditadura militar. Na época da ditadura, justificava-se essas coisas, mas, na democracia, não se admite que isso ocorra, disse. Lamentavelmente, sofri uma violência política em plena democracia e patrocinada pela Justiça Federal do Tocantins.
A decretação da prisão do ex-senador do PMDB foi facilitada pela condição de ex-parlamentar, uma vez que, ao renunciar ao cargo, Jader perdeu a prerrogativa de ser julgado apenas pelo Supremo Tribunal Federal (STF), após a concessão de licença pelo Legislativo.
Por volta da 00h25 de ontem, o ex-senador embarcou, num avião fretado, de volta a Belém. Cerca de 200 correligionários e simpatizantes aguardavam a chegada do avião. Jader foi recebido com aplausos, gritos de justiça e cartazes com frases, como Jader 2002.
Ontem à tarde, a Justiça Federal do Tocantins libertou o empresário José Soares Sobrinho, que foi preso anteontem com Jader. Soares Sobrinho estava detido desde o início da tarde de anteontem, na Cadeia Pública de Palmas, e também foi beneficiado por um habeas-corpus. A medida também vale para os dois irmãos dele - Romildo Onofre Sobrinho e Sebastião José Soares Sobrinho - que estão foragidos. Também deixou a cadeia pública o ex-prefeito de Altamira (PA) Delio Fernandes.
Até o início da noite, Regivaldo Galvão era o único dos seis que estava preso. Os advogados dele aguardavam ainda para ontem o pronunciamento de Tourinho Neto sobre o pedido de habeas-corpus.


