São Paulo - As sete igrejas cristãs mais tradicionais do País divulgaram nota criticando pronunciamentos que associam o processo eleitoral a ameaças de instabilidade no País. De acordo com a nota, divulgada ao final de uma assembléia-geral do Conselho Nacional de Igrejas Cristãs (Conic) e da Coordenadoria de Serviço Ecumênico (Cese), em Salvador (BA) o objetivo das ameaças é evitar mudanças no quadro político. O Conic e o Cese são entidades irmãs. Reúnem as igrejas Metodista; Presbiteriana Unida; Evangélica de Confissão Luterana no Brasil; Cristã Reformada; Episcopal Anglicana; Ortodoxa Siriana e Católica Apostólica Romana.
Na assembléia de Salvador, encerrada na quinta-feira, os representantes dessas igrejas deveriam discutir projetos de trabalho conjuntos. Mas, segundo o pastor Ervino Schmidt, luterano que dirige o Conic, o pronunciamento sobre as eleições era indispensável. ‘‘Estamos muito apreensivos diante deste artifício que se destina a intimidar o eleitor’’, disse o pastor.
O texto das igrejas cristãs, divulgado ontem, diz: ‘‘Neste momento de processo eleitoral, o povo é espectador passivo de conchavos, de ‘acordos de cúpula’. Os casos de corrupção, cotidianamente divulgados pela imprensa, apurados ou a serem apurados, não respondem à finalidade de devolver a dignidade ética à classe política desacreditada. Qualquer hipótese de mudança do quadro político, que possa ser apenas pensada por este povo de espectadores, é reprimida com a ameaça de instabilidade institucional que levaria o País à atual situação da vizinha Argentina, ela própria vítima de mazelas das elites locais e das condicionalidades impostas pelos organismos de financiamento internacionais.’’
Mais adiante o texto define as diretrizes de um programa ideal de governo: ‘‘Qualquer projeto político para o Brasil precisa superar a miséria e a fome, garantir a todos, brasileiros e brasileiras, condições mínimas de subsistência. As leis do mercado devem ser governadas por políticas presididas pela ética. Não pode ser conferida prioridade ao lucro, ao capital , à acumulação de bens, quando é prioridade ética e política a inclusão dos pobres aos níveis condignos de alimentação, moradia, saúde, educação, segurança e lazer. Os excluídos da cidadania real não precisam apenas de cestas básicas, mas têm direito a trabalho dignamente remunerado e garantido pela Constituição.’’

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