O líder do governo, Durval Amaral (PFL), não demonstrou a menor preocupação com o pedido de impeachment, que classificou de ‘‘proposta nitidamente eleitoreira’’. Disse que não será necessária sequer manobra para impedir a aprovação do pedido de cassação. ‘‘O procurador jurídico da Casa vai obviamente concluir que isso não tem fundamentação nenhuma e o documento será arquivado’’, alfinetou. Amaral confia também na maioria governista da Comissão de Constituição e Justiça (CCJ).
Para o pefelista, a oposição está colocando ‘‘a carroça na frente dos bois’’, porque o impeachment é válido somente após um longo processo de investigação, que comprove irregularidades. ‘‘E até agora ninguém apresentou prova de nada. Não adianta alardear um pedido dessa natureza sem ter provas concretas’’, ponderou Amaral. A CPI da Telefonia, que apura denúncias de grampos no Palácio Iguaçu e em comitês eleitorais, está em busca de documentos que comprovariam ligação do Palácio no esquema de escutas ilegais. O governo do Estado sustenta que nunca fez escutas clandestinas.
O chefe da Casa Civil, Alceni Guerra, responsável pela imagem política do governador, disse que a iniciativa de Requião é retórica e será respondida com retórica. O secretário avalia que não vale a pena entrar em um jogo de holofotes. Guerra afirmou que o assunto será resolvido dentro da Assembléia.
Para o secretário de Governo, José Cid Campêlo Filho, desde que o ex-presidente Fernando Collor teve o mandato cassado ‘‘parece que virou moda’’ pedir impeachment.
O senador Roberto Requião (governador de 1990-94) também já foi alvo de um pedido de impeachment, assinado pela Associação dos Magistrados do Paraná. O pedido, entretanto, foi rejeitado pela Assembléia Legislativa. (M.D.)

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