Belo Horizonte - A declaração do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT), que acusou a ''elite brasileira'' de querer atingi-lo com as denúncias de corrupção, foi considerada irreal pelos governadores de Minas, Aécio Neves, e de São Paulo, Geraldo Alckmin, ambos do PSDB. Na última sexta-feira, em tom exaltado, Lula disse que a ''elite brasileira'' não o fará baixar a cabeça.
''Eu acho que há a necessidade de o governo avaliar que não tem nada de lutas de classes nisso. O que tem é mau uso do dinheiro público, que precisa ser apurado. Então não adianta tergiversar (usar de rodeios). Existe uma coisa chamada 'o fato'. Sua excelência é o fato. Isso precisa ser investigado'', pontuou o governador paulista, que cobrou responsabilidade do governo.
Na opinião de Aécio, o discurso de Lula foi inadequado. ''Não me parece o discurso adequado neste instante. Até porque, todo discurso que não tem consistência na realidade, nos fatos, soa frágil'', observou o mineiro. A exemplo de Alckmin, o governador de Minas destacou que os ''fatos hoje conduzem'' o desenrolar da crise, ''mais do que a vontade das pessoas''.
Os dois tucanos assinaram ontem, em Belo Horizonte, um acordo de cooperação técnica entre os dois governos para troca de informações na área de gestão pública. O presidente nacional do PSDB, senador Eduardo Azeredo, também condenou a declaração do presidente. ''Não tem o menor sentido isso. Não é esse o caminho, querer separar o Brasil em classes sociais''.
Apesar de todo o desgaste em função das denúncias que atingem seu partido e membros de seu governo, os tucanos acreditam que Lula será candidato à reeleição no ano que vem. ''Não vejo no Partido dos Trabalhadores um outro nome em condições de levantar uma bandeira nacional'', observou Aécio.

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