Para Genoino, ''o PT não pode barrar as cobranças''
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sábado, 01 de novembro de 2003
Vera Rosa Brasília<br> Agência Estado 
São Paulo - O presidente do PT José Genoino garante que fará a pactuação interna no partido, há 23 anos dividido em facções que vão da defesa do trotskismo à social-democracia. Quando fala do relacionamento entre os companheiros, o verbo que Genoino usa é um só: ''azeitar''. Com jeito de terapeuta disposto a ouvir as queixas dos colegas, ele garante que o PT não se diluirá na ''geléia geral'' das legendas nem mudará a cara por ser governo. Longe dos tempos do palanque, o partido vive um ''momento de aprendizado'', na definição de Genoino.
Agência Estado - Até os moderados reclamam que o PT está perdendo sua cara. O partido vai ficar igual aos outros?
José Genoíno - Não. O PT é um partido socialista, democrático, pluralista e de esquerda, que não abre mão de seu caráter. O apoio à legenda PT, hoje, é o maior da história: temos 33% de aceitação nacional e apenas 11% de rejeição. Temos como pressuposto que somos responsáveis pelo governo e não podemos deixar de cumprir a tarefa de viabilizá-lo. O PT não é oposição. Mediamos conflitos quando há divergências, mas não confrontos e exageros, como aconteceu na reforma da Previdência. Tensionamentos não mudam a nossa cara.
AE - Mas há conflitos entre a teoria do PT e a prática do governo. Um exemplo recente ocorreu no caso dos transgênicos e do orçamento para a sa© úde. Nestas situações, o PT fica com quem?
Genoino - Nesses dois casos, nosso trabalho foi no sentido de fazer a mediação com o governo. Temos toda a autonomia para isso e já fiz inúmeras reuniões com os movimentos sociais. Estamos vivendo um aprendizado: é o momento de equilibrar a condição de ser governo e ter autonomia para sugerir o bom debate. Vamos azeitar as relações internas com companheirismo e não ataques. Faremos a pactuação interna para construir as alianças de 2004 e evitar disputas desnecessárias.
AE - Há cobranças fortes no PT e muita preocupação quanto ao alto índice de desemprego e a demora para um novo modelo econômico. O que fazer?
Genoino - O PT não pode barrar esse movimento de cobrança e exigência. Agora, confiamos nas previsões do ministro da Fazenda Antonio Palocci. Está havendo a reanimação do cenário econômico. Não é no ritmo que gostaríamos, mas há melhoras.


