São Paulo - O deputado federal Fernando Gabeira (PV-RJ) afirmou ontem que no final das investigações, entre 3 e 4 meses, será possível avaliar se existem condições para o ''impeachment'' do presidente Luiz Inácio Lula da Silva. Ele negou, no entanto, que seja necessária a manifestação popular para conduzir esse processo. Há 1 mês, quando se avolumaram as conversas entre os partidos sobre a possibilidade de um impedimento do presidente Lula, a principal ''variável'' observada pelas lideranças políticas foi a justamente a ausência de um ''apoio popular'' para levar adiante o processo.
''Somente no final das investigações, nós vamos avaliar, daqui a uns 4 meses no máximo, se é o caso do presidente precisar de um processo de impeachment'', afirmou. Ele acrescentou: ''Não é um preciso um grande desejo popular. Não acho que essa variável seja decisiva''. Para o parlamentar, será uma questão constitucional ''chegar à conclusão que o presidente cometeu um crime com punição de impeachment''.
O parlamentar, que participou ontem de uma sabatina promovida pelo jornal ''Folha de S.Paulo'', fez críticas à classe política, tanto de direita quanto de esquerda, e ao governo Lula, principalmente quanto a política ambiental e das drogas.
O deputado, que apoiou a candidatura Lula em 2002, iniciou suas críticas ao responder porque esteve ''ao lado'' de alguns representantes da direita quando entregou a representação contra o presidente da Câmara Severino Cavalcanti (PP-PE). ''Nesse momento, era uma questão de luta nacional'', disse e questionou: ''Se não com eles, então com quem?'' Gabeira afirmou que parte da esquerda, citando os partidos PT e PC do B, não participou do movimento para derrubar o presidente da Casa, que ele chamou de ''humilhação nacional''.
O parlamentar afirmou que a eleição de Severino foi resultado de uma ''estupidez coletiva'' de seus colegas e do governo, que apoiou um candidato ''sem trânsito'' na Casa. A oposição, por sua vez, votou em um candidato somente para enfraquecer a situação.
Sobre os partidos de esquerda, afirmou que a classe política vive ''um pesadelo'', porque as atuais legendas somente atuam em nome da manutenção de poder. Em relação à direita, disse: ''Há setores da direita com quem você pode conversar, porque existe um padrão ético que você avançar, mas há setores da direita que você não pode conversar, porque não há conversa que não seja a troca aberta de favores''.

mockup