Possibilidade de expansão da Sercomtel Celular para outras cinco cidades da região de Londrina, oferta de serviços casados – pacote de telefone fixo e celular, mais internet – e risco de queda de arrecadação tributária. Para uma comissão de funcionários da empresa, esses são os principais pontos que justificariam uma suposta inviabilidade da privatização. A exposição foi feita ontem de manhã, durante reunião fechada com o grupo de estudos da Câmara de Vereadores.
  A FOLHA teve acesso ao esboço que embasará o documento final a ser encaminhado ao Legislativo pelo sindicato que representa a categoria, o Sinttel. Por ele, a comissão aponta a viabilidade da Celular com base na ‘‘sinergia dos negócios de telecomunicações’’, ou seja, na convergência de serviços que possam ser ofertados de forma casada.
  Sobre as receitas de cada empresa, os funcionários defendem que uma eventual venda da móvel impactaria diretamente na Fixa. A explicação é que as receitas de prestação de serviços da uma (Fixa) para outra (Celular) desapareceriam, e também que a transferência de receitas referentes ao tráfego de chamadas entre operadoras dos grupo iriam a empresa de fora. Conforme a proposta, essas duas novas situações impactariam diretamente no balanço da Fixa, uma vez que, só de receita de chamadas recebidas pela operadora móvel quando um telefone fixo Sercomtel liga para a mesma, são cerca de R$ 5 mi/ano arrecadados.
  Já a diferença de valores recebidos por uma e outra também sustentariam, de acordo com a comissão, outras perdas: pelo Valor de Avesso à Rede Celular (VUM), a móvel arrecada R$ 0,40 o minuto; por outro lado, a Tarifa de Uso da Rede Local (TURL) rende à Fixa R$ 0,035 o minuto. Por esses cálculos, o grupo estima que, a cada ligação recebida, a Celular recebe 12,93 vezes mais que o valor recebido por uma operadora fixa.
  O grupo de estudos da Câmara Municipal se reunirá hoje para discutir as alternativas propostas. Na semana que vem eles vão a Curitiba tentar audiência com a Presidência da Copel e com o Tribunal de Contas (TC). Da estatal, o grupo quer saber se de fato ela não investirá na Sercomtel. Do TC, o grupo quer uma avaliação técnico-contábil dos últimos balanços da telefônica.

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