O presidente Fernando Henrique Cardoso reafirmou ontem, por intermédio do porta-voz-adjunto, Georges Lamaziére, sua preferência para que o novo teto do funcionalismo público seja equivalente a R$ 10,8 mil. E disse que ‘‘se os outros (chefes dos poderes da República) concordarem’’, aceitaria um teto ainda mais baixo, ‘‘de R$ 8 mil’’. ‘‘Seria um exemplo que estes poderes poderiam dar para mostrar a colaboração com o ajuste fiscal’’, disse o Lamaziére. Este valor (R$ 8 mil) é inferior à remuneração que FHC recebe para exercer o cargo de presidente da República: R$ 8,5 mil.
Desde o início, FHC vem defendendo, nas reuniões com os presidentes dos três poderes, um teto equivalente a R$ 10,8 mil, salário pago hoje aos ministros do Supremo Tribunal Federal. Mas o próprio Supremo já havia comunicado ao Congresso que três ministros do Supremo recebiam R$ 12,7 mil por acumularem cargos de ministros do Tribunal Superior Eleitoral.
Na reunião com os presidentes dos três poderes, em dezembro do ano passado, o presidente do STF, ministro Celso de Melo, levou a posição do tribunal - de um teto de R$ 12,7 mil - que contou com o apoio do presidente do Congresso, senador Antônio Carlos Magalhães (PFL-BA) e do presidente da Câmara, Michel Temer (PMDB-SP). Com a repercussão negativa do valor mais alto, no momento em que o governo apresentava medidas de ajuste fiscal ao País, os parlamentares recuaram e defenderam teto menor.
Determinada pela reforma administrativa, a definição do valor do teto está engavetada desde dezembro. O governo afirma que esta é uma decisão que cabe ao Congresso, mas o Congresso não quer tomar qualquer atitude sem um consenso entre os presidentes dos três poderes. Em janeiro, o STF voltou a defender o teto de R$ 12,7 mil e os juízes estão ameaçando fazer greve para garantir reposição salarial.

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