O presidente Fernando Henrique Cardoso negou que o anúncio de medidas de estímulo à construção civil seja eleitoreiro. ‘‘Está havendo um aumento de dispêndio em tudo’’, disse. ‘‘Não é porque é ano eleitoral. A própria máquina vai se aperfeiçoando, tornando as medidas possíveis.’’
Ao inaugurar seis edifícios do Conjunto Residencial São Cristóvão, na cidade de Osasco (SP), o presidente disse que estava apenas dando continuidade ao seu programa de governo. A entrega oficial de 456 chaves de novos apartamentos, no entanto, foi feita em clima de campanha eleitoral, com palanque e discursos inflamados. O presidente adiantou algumas das medidas do pacote de estímulo à construção, que terá R$ 6 bilhões de recursos .
Sobre as críticas feitas pela oposição, Fernando Henrique mandou o recado: ‘‘Quem fica cacarejando, não pensa no trabalhador.’ Disse que essas pessoas preferem ignorar fatos que reforçam a coerência de suas decisões, como o aumento dos juros no fim de 1997. Citou o aumento da taxa de desemprego na Indonésia, que ‘‘quadruplicou’’, como prova de que o Brasil agiu corretamente ao defender o Real, com juros altos.
Ao lado do governador Mário Covas (PSDB), o presidente elogiou a atual política habitacional do Estado, que teria entregue o ‘‘maior número de casas’’ em sua história. Fernando Henrique disse que, ao contrário de outros, seu governo e o paulista não fazem propaganda de suas obras. ‘‘Simplesmente, o governo não fica anunciando o que faz’’, afirmou. Esses governos, segundo ele, são ‘‘honrados, sem ladrões, sem gente desonesta ou falcatruas’’.
De acordo com o presidente, a economia está sendo reaquecida, não porque há uma eleição marcada para outubro, mas porque ‘‘está na hora de fazê-lo’’. ‘‘Crescimento da economia e da taxa de emprego não são milagres’’, disse. ‘‘São fruto de trabalho.’ Citou as mudanças recentes na política de crédito rural como prova dos esforços do governo para estimular a economia. As medidas de estímulo à construção civil seriam outra evidência.
Novos contratos para a construção de moradias foram assinados pelo presidente, durante a solenidade em Osasco. Ele assinou 18 contratos, totalizando 3.657 unidades habitacionais, para obras no Estado de São Paulo. Ao todo, serão liberados recursos da Caixa Econômica Federal (CEF) de R$ 78,5 milhões.Agência EstadoModéstiaCovas e FHC durante inauguração do conjunto habitacional: ‘‘O governo não fica anunciando o que faz’’Agência Estado

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