Para ex-ministro, FHC mente sobre superávit
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terça-feira, 20 de abril de 1999
Carmem Murara 
Ciro Gomes tachou ontem de mentirosa a declaração do presidente Fernando Henrique Cardoso que, no dia anterior, anunciou superávit fiscal de R$ 7 bilhões no primeiro trimestre do ano. O seo Fernando Henrique virou um mentiroso contumaz. Quando fala R$ 7 bilhões, ele omite o déficit dos Estados e municípios. Omite também a inclusão de um acordo judicial de impostos atrasados, no valor de R$ 2 bilhões, que não se repete nos próximos meses, afirmou o ex-ministro. Ciro Gomes esteve em Curitiba para reuniões políticas do PPS e para um café da manhã com empresários da Associação Comercial do Paraná.
Sem poupar críticas ao governo federal, o ex-ministro disse que a equipe econômica traça um caminho equivocado para manter a estabilidade econômica. Para ele, a única solução viável para evitar o colapso do Plano Real é criar uma barreira que bloqueie a saída de capitais. Vetar a fuga de capitais brasileiros para o estrangeiro e reestruturar o perfil da dívida pública. Esta é a única saída que nos resta dada à irresponsabilidade de FHC, que vendeu nosso patrimônio, financiando consumo e popularidade fácil para sua reeleição, acusou.
Ciro disse ainda que haveria uma imediata queda na taxa de juros ao se impedir a saída do capital e ao transformar a dívida pública em inflação. Além desta solução, o governo poderia adotar outras três alternativas que seriam o calote da dívida, o ensilhamento inflacionário da dívida (emitir dinheiro) e a venda de ativos para pagar o débito. Para o ex-ministro, a única saída para a realidade nacional seria o bloqueio do envio de dinheiro ao exterior.
Hoje, a dívida pública nacional é de R$ 368 bilhões, contra R$ 61 bilhões há quatro anos. A explosão dos números é um reflexo da própria política de juros altos, que faz com que a dívida pública comprometa 50% do Produto Interno Bruto. Já a dívida externa do País é de US$ 127 bilhões contra US$ 235 bilhões, há quatro anos.
No discurso que fez durante o café da manhã com os empresários, o ex-ministro afirmou que o Banco Central não precisaria ter desvalorizado em quase 70% a moeda em relação ao dólar, bastando ter feito uma desvalorização de 20%. Ele disse ainda que são falsas as informações de que há uma redução gradativa da taxa de juros. O juro real está subindo, pois tínhamos uma taxa de 45% para uma inflação estimada de 20%. Agora temos uma taxa de juros de 35% para uma inflação de 9%. Que redução é esta?, questionou.


