Para evitar racha, PMDB adia decisão sobre candidato próprio
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terça-feira, 26 de agosto de 1997
Agência Estado Brasília 
Nem a ala rebelde comandada pelo presidente do PMDB, deputado Paes de Andrade (CE), nem o grupo aliado ao governo quer realizar a convenção nacional do partido antes de 3 de outubro, quando termina o prazo de filiação partidária para os candidatos às eleições gerais de 1998. O ex-presidente José Sarney (PMDB-AP) reafirmou ontem sua disposição de se candidatar novamente ao Planalto. Sarney ponderou, entretanto, que só lançará sua candidatura se ela unificar o PMDB. Estou muito velho para embarcar numa aventura, com o partido rachado, definiu.
O senador Roberto Requião (PMDB-PR) ficou sozinho na batalha para antecipar para o dia 21 de setembro a convenção, quando será decidido se o partido apóia a reeleição do presidente Fernando Henrique Cardoso ou lança candidato próprio ao Palácio do Planalto. A pressa do senador Requião tem uma razão: ele quer saber se o PMDB terá candidato próprio à Presidência da República para responder ao convite de Leonel Brizola e sair candidato a presidente pelo PDT.
É justamente o medo da divisão do partido que deve adiar a definição. Uma convenção, sem costura interna, em vez de consolidar candidaturas, consolidaria um racha partidário, ponderou o líder do PMDB no Senado, Jáder Barbalho (PA). Uma convenção é para sair com o partido fortalecido, e não fragmentado, emendou o deputado Paes de Andrade. Não posso atropelar a Executiva Nacional e convocar uma convenção pensando no destino de quem quer sair ou entrar no PMDB, completou.
A afirmação de Paes - principal entusiasta da candidatura Sarney - vale tanto para Requião quanto para o ex-presidente Itamar Franco. Candidato potencial à cadeira de Fernando Henrique, Itamar está sem partido e avalia a conveniência política de ingressar no PMDB. Aliado importante do Planalto, o líder do PMDB na Câmara, Geddel Vieira Lima (BA), apoiou a movimentação de Requião para apressar a definição do partido, mas não acredita que isto possa ocorrer antes de 3 de outubro.
O partido tem que ter um encontro definitivo com suas contradições, mas será impossível fazê-lo agora, diz o líder, ao lembrar que outubro é o mês das convenções municipais, já marcadas para o dia 19. É fisicamente impossível tratar de convenção nacional e diretório municipal ao mesmo tempo, justificou Geddel.
Os líderes formais e informais do partido querem reunir a convenção mais no final do ano. O PMDB é uma federação de líderes estaduais que precisam conversar muito antes da definição, até para acertar que a decisão será cumprida, salientou o líder Barbalho. O bom modelo é o do velho PSD, que só se reunia depois de tudo decidido, brincou.
Enquanto candidatos como Sarney temem ser abandonados no meio da campanha presidencial - como ocorreu com Ulysses Guimarães e Orestes Quércia -, peemedebistas candidatos a governos de Estado, que vão dividir o palanque com o presidenciável do partido, exibem o temor inverso: o de que Sarney acabe desistindo de sua candidatura no meio do caminho. Se ele fosse afirmativo, como candidato, todos o acompanhariam, mas ele é sempre dúbio, destacou um cardeal do PMDB.


