Para EUA, visita de Lula sinaliza futuras colaborações
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domingo, 01 de abril de 2007
Patrícia Campos Mello e<br> Denise Chrispim Marin<br> Agência Estado 
Washington, EUA - Apesar das divergências em relação ao Irã e protecionismo agrícola, o governo americano considerou que a visita do presidente Luiz Inácio Lula da Silva a Camp David, no sábado, foi um ''sinal importantíssimo'' para países da região, pois será um trampolim para futuras colaborações entre as duas nações. Além disso, o encontro mostrou que a cooperação dos biocombustíveis é para valer, afirmou Thomas Shannon, sub-secretário de Estado para o Hemisfério Ocidental.
''Em poucas semanas, já identificamos o primeiro grupo de países da cooperação - Haiti, República Dominicana, São Cristóvão e Névis e El Salvador; nos comprometemos a falar com os próximos países na fila, estabelecemos o fórum internacional de biocombustíveis e organizamos o intercâmbio de especialistas'', disse Shannon.''Isso mostra que o memorando que assinamos em São Paulo não era apenas um pedaço de papel; trata-se de um acordo bem concreto.''
Segundo Shannon, o posicionamento de Lula em relação ao Irã - o presidente brasileiro afirmou que o Brasil e a Petrobras continuarão fazendo negócios com os iranianos -, ao lado das críticas aos subsídios agrícolas e tarifa sobre etanol, não azedaram a reunião. ''Sempre haverá divergências, mas elas são superadas, de longe , por nossos objetivos comuns'', disse .
Os acordos que EUA e Brasil assinaram - apoio ao legislativo de Guiné-Bissau, combate à malária em São Tomé e Príncipe, biocombustíveis nos países do Caribe - são um ''símbolo poderoso'' para países em desenvolvimento, disse Shannon.
O Washington Post de ontem teve uma visão mais ácida do encontro entre o presidente Lula e o presidente americano George W Bush. ''Lula testou a famosa pouca paciência de Bush com um discurso desconexo de 20 minutos (comparado com a fala de 4 minutos do presidente americano) e falou longamente, em tom professoral, sobre o que ele batizou de iminente crise do aquecimento global.''
Em outro trecho, o jornal americano diz: ''O Irã obscureceu até a conversa entre os dois presidentes, por causa de reclamações recentes dos EUA sobre as ligações entre a Petrobras e Teerã.''
O encontro com o presidente George W. Bush sábado, em Camp David, permitiu ao presidente Luiz Inácio Lula da Silva alcançar seu objetivo maior - diferenciar o Brasil, política e economicamente, da vizinhança sul-americana e, em especial, da revolução bolivariana de Hugo Chávez, da Venezuela. Mas, se selou a cooperação entre Estados Unidos e Brasil na área de biocombustíveis e a parceria para a atuação em Nações mais pobres, também remarcou que a maior ''intimidade'' na relação entre os dois países não significará afinidade completa. O imbróglio sobre o Irã resumiu essa posição.
Depois do Iraque, é o Irã a maior preocupação do governo Bush. Os Estados Unidos pretendem isolar esse país da comunidade internacional, como meio de pressioná-lo a abandonar seu programa de enriquecimento de urânio.


