O promotor Cláudio Esteves disse ontem que recebeu com surpresa a notícia do ''Prêmio Integridade 2001'', mas fez questão de ressaltar que o mérito é de todo o Ministério Público - não só o do Paraná como também do País, que vem se destacando em com ações efetivas no combate à corrupção. ''É um estímulo e também um sinal que nos informa que o MP está no caminho certo'', avaliou.
Esteves destacou que um dos fatores principais para o reconhecimento pela ONG internacional foi justamente a transparência do trabalho dos promotores, não privando a sociedade - dentro dos limites legais - das informações referentes aos fatos investigados. ''Isso também é um recado bem claro para aqueles que querem impor ao MP a lei da mordaça'', observou.
O fato de manter abertas as portas da promotoria, na avaliação de Esteves, possibilitou que a sociedade fosse informada e se sensibilizasse com a gravidade dos fatos investigados. ''Com o MP atuante, a imprensa livre e a sociedade organizada, a tendência é de avanços, especialmente no combate à corrupção.''
As investigações do MP londrinense começaram em fevereiro de 1999 a partir de denúncias de irregularidades na Autarquia Municipal do Ambiente (AMA). A apuração avançou para a extinta Companhia Municipal de Urbanização (Comurb - atual CMTU) e revelou um amplo esquema de desvio de recursos públicos. Belinati chegou a ser preso duas vezes, este ano, como consequência do trabalho do MP.
Segundo análise parcial, pelo menos R$ 16 milhões foram desviados da prefeitura em licitações fraudulentas. A venda de 45% das ações da Sercomtel S.A., em maio de 1998, por R$ 186 milhões, financiou a corrupção. Além de Belinati, as ações também atingiram personagens importantes da política paranaense, como a vice-governadora Emília Belinati (PTB), esposa do ex-prefeito; o deputado estadual Antônio Carlos Belinati (PSL), filho do casal; e os deputados federais José Janene (PPB) e Alex Canziani (PSDB). (L.H.)

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