Para entidades, agora é a hora da cobrança
O tom de fim do período de experiência para avaliação das ações do novo prefeito é o que se percebe também pelas análises do governo Barbosa Neto (PDT) por setores da sociedade.
Para o vice-coordenador da Federação das Indústrias do Estado do Paraná (Fiep) e coordenador regional da entidade, o empresário Ary Sudan, os 100 dias da nova administração foram positivos para o setor o qual, segundo ele, tem tido boa receptividade por parte do prefeito. Ele tem pedido a nossa participação e nossas sugestões de como alavancar Londrina; além do mais, demonstra ter uma visão moderna. O empresário citou a proposta do Executivo de criação de um Estatuto Municipal das Micros e Pequenas Empresas, com incentivo como perdão de Imposto Sobre Serviços (ISS) nos meses iniciais de abertura do empreendimento. Só falta aprovação da Câmara de Vereadores.
Precisamos de propostas que possam efetivamente criar um ambiente de desenvolvimento empresarial na cidade, e o prefeito tem dado ouvidos a isso tanto que esse projeto das micros e pequenas empresas ficou um bom tempo engavetado. Mesmo o projeto Cidade Limpa é importante, porque Londrina está muito poluída visualmente mas é evidente que ele precisa ser mais discutido, definiu Sudan, para quem 100 dias é muito pouco tempo para quem pegou problemas sérios em todas as áreas. Para o coordenador da Fiep, contudo, as dificuldades em avançar mais estariam, acredita, na limitação de cargos comissionados imposta pelo próprio prefeito. Esse empenho dele pode emperrar as coisas; além do mais, a velocidade com que ele deseja às vezes resolver tudo, ao mesmo tempo, sem planejar, a uma velocidade que nem sempre a máquina acompanha, pode gerar frustração na população, ponderou. Determinados assuntos o prefeito quer ver resolvidos para ontem; é o caso do Calçadão. Asfaltamento, a mesma coisa. Aí a obra para, porque nem sempre é o que se esperava, e aí? Quanto à relação entre os dois poderes, o empresário vê dificuldades de ambos os lados. Por parte do prefeito, falta um jogo de cintura maior, mais conversa com a Câmara; nisso ele peca. Já ao Legislativo falta abandonar o corporativismo.
Presidente do Clube de Engenharia e Arquitetura de Londrina (Ceal), o arquiteto André Sell também citou que os 100 dias de gestão foram uma prévia e um período de análise do novo prefeito. Ele pegou a cidade em um momento bastante delicado seja pelo estado das ruas, do aeroporto, do teatro, tudo que não é possível resolver em tão curto espaço de tempo, frisou, para ressalvar: De positivo, vejo que pelo menos ele tem boa vontade, embora só isso não adianta tem que vir também com ações. Demos um crédito para só depois ele ser cobrado, ainda mais aquilo que é prioritário.
A confecção dos projetos complementares do Plano Diretor de Londrina, ainda não encaminhados à Câmara, e a definição há poucos dias do diretor-presidente do Instituto de Pesquisa e Planejamento Urbano de Londrina (Ippul) o geógrafo Carlos Hirata foram destacados por Sell como aspectos que deveriam ter tido soluções mais rápidas.
O Ippul deve ser de fato um organismo mais valorizado e estar em sintonia com a Secretaria de Obras, pois se complementam. Em Londrina, estava praticamente em segundo plano, e a gente via que as coisas ficavam por isso mesmo, queixou-se. Além do que, a decisão do Ippul cansou um pouco para todos. Já a polêmica do teatro poderia ter sido evitada. (J.G.)





