Para entender o caso
Os casos de grampo telefônicos no governo do Estado começaram a ganhar destaque na imprensa em outubro de 1999, quando a então secretária da Administração Maria Elisa Paciornik suspeitou que o telefone do gabinete estava grampeado. Ela pediu varredura e o grampo foi encontrado. Em novembro daquele ano, ela entregou a denúncia para a Procuradoria Geral da Justiça. Apenas em março deste ano, a Polícia Civil começou as investigações. O inquérito, sob responsabilidade do 3º Distrito Policial, é sigiloso.
Em abril deste ano, o Centro de Operações Policiais Especiais (Cope) recebeu uma denúncia de grampo na Ocidental Distribuidora de Petróleo, localizada em Araucária (Região Metropolitana de Curitiba) e prendeu em flagrante (no dia 4) o técnico da GVT, João Batista Cordeiro. Ele estava com minigravadores numa caixa de distribuição telefônica de Araucária. Ao ser ouvido em depoimento, Cordeiro declarou que grampeou os telefones a pedido de funcionários da Casa Militar do Palácio Iguaçu. Foram citados os nomes do cabo da PM Luiz Antonio Jordão e o do soldado Afrânio de Sá. O cabo Jordão disse que Gerson Guelmann, secretário especial da Chefia de Gabinete do governador, e o chefe da Casa Militar, coronel Luis Antônio Borges Vieira, estavam envolvidos no esquema de escutas. O governo do Estado nega qualquer envolvimento com o caso. Guelmann chegou a pedir demissão por conta do escândalo, mas o governador Jaime Lerner (PFL) não aceitou.
Os dois policiais militares foram afastados no dia 5 de abril das atividades da Casa Militar. Jordão foi transferido para o 12º Batalhão da Polícia Militar e está em férias até o dia 24 de maio. Sá está no 17º Batalhão da Polícia Militar, realizando atividades operacionais. O ex-técnico de telefonia do Palácio Iguaçu Gilberto Maria Gonçalves, acusado de controlar o serviço de telefonia do Palácio Iguaçu, foi exonerado do cargo no dia 9 de abril.
O delegado Gerson Machado, do 3º Distrito Policial, responsável pelo inquérito que investiga grampos no Palácio Iguaçu, relacionou os dois casos de grampo. Ele suspeita que os autores do grampo da Ocidental sejam os mesmos do grampo encontrado no gabinete de Maria Elisa. Também estão sendo investigados no inquérito os ex-técnicos da Telepar, Edgar Fontoura Filho e Jefferson Martins Storrer, diretores da Defense Assessoria e Consultoria, chamados sistematicamente para realização de varreduras em linhas telefônicas do Palácio Iguaçu.
Deputados estaduais também desconfiam de terem sido vítimas de escutas telefônicas ilegais. No ano passado, o então líder do governo na Assembléia Legislativa, Valdir Rossoni (PTB), solicitava varreduras de dois em dois meses. Oficialmente, nada foi encontrado. Mas o cabo Jordão sinalizou em depoimento à CPI da Telefonia que durante algumas varreduras a frequência estava alta, o que poderia indicar a existência de grampos.
Agora, duas comissões investigam as denúncias de escutas clandestinas no governo e em comitês eleitorais: a Comissão Parlamentar de Inquérito (CPI) da Telefonia da Assembléia (formada por maioria oposicionista) e a Comissão Especial de Investigação do Palácio Iguaçu. A CEI do governo foi criada em resposta à instalação da CPI pelos deputados. Os deputados desqualificam a CEI alegando que é um absurdo o governo investigar o próprio governo.





