Empresários do Movimento Londrina Competitiva (MLC) e que financiam a consultoria que está sendo realizada desde o ano passado na Prefeitura de Londrina por técnicos do Instituto de Desenvolvimento Gerencial (INDG) acham que o prefeito Barbosa Neto (PDT) se desgasta ao manter em sua administração secretários acusados de atos ilícitos, mas, ao mesmo tempo, elogiam o comportamento do chefe do Executivo, por ter levado a sério o trabalho do INDG.
O empresário Oswaldo Pitol disse que o prefeito sempre foi muito cooperativo com o INDG, cujo objetivo é modernizar a administração e permitir que padrões de controle e gestão permaneçam na máquina pública mesmo sob outros governos. ''É um trabalho para o futuro, de capacitação dos servidores, e o prefeito tem colaborado muito'', declarou. No entanto, para ele, o problema seria a insistência de Barbosa em manter dois secretários em sua administração: Marco Cito, de Governo, e o presidente da Companhia Municipal de Trânsito e Urbanização (CMTU), André Nadai.
O primeiro é investigado por suposta irregularidade em aditivo a um contrato de limpeza com a empresa Proguarda, fraude descoberta pelo INDG. ''Pedimos que este secretário fosse afastado ou exonerado já que não estava dando a cooperação necessária. Dias depois ele foi transferido de secretaria, mas continua na administração'', revelou Pitol. ''Lamento que o prefeito tenha o desgaste de manter dois secretários que deveriam estar fora há muito tempo''
Além das denúncias contra Cito, André Nadai também é investigado por sonegar imposto municipal - o ITBI - ao comprar um apartamento com sua esposa no ano passado. Vereadores, incluindo o líder do prefeito na Câmara, Roberto Fu (PDT), também já se manifestaram pedindo a demissão de Nadai e Cito.
O presidente da Associação Comercial e Industrial (Acil), Nivaldo Benvenho, que também faz parte da comissão especial do INDG composta por 11 empresários, fez sua avaliação do governo Barbosa Neto no mesmo sentido de Pitol. ''O prefeito encaminhou vários bons projetos, mas peca pela não exclusão de alguns secretários que foram pegos cometendo atos ilícitos'', avaliou. ''É algo difícil de entender.'' Para Benvenho, essa atitude de Barbosa mancha toda a administração.
Outro empresário ouvido pela FOLHA, Bruno Veronesi, foi menos incisivo e disse ter entendido a transferência de Cito para a Secretaria de Governo com uma providência do prefeito, ou seja, afastá-lo da SGP, onde teria ocorrido a irregularidade no aditivo. ''Mas esperamos as providências finais deste caso'', comentou.
''Londrina precisava de um longo período de tranquilidade no Executivo e no Legislativo para a cidade prosperar. Lamento essa série de denúncias'', acrescentou Veronesi, referindo-se tanto às investigações contra os dois secretários quanto ao suposto esquema de corrupção e desvio de dinheiro da Saúde.
Flávio Meneghetti, outro integrante do movimento, evitou fazer críticas ao prefeito e manifestou apoio a sua postura em relação ao trabalho do INDG. ''Ele tem ido às reuniões e tem sido incisivo na cobrança ao secretariado para que cumpra o cronograma do INDG.''
O Movimento Londrina Competitiva é composto por 126 empresários que contribuem com valores mensais entre R$ 500 e R$ 3,5 mil. O trabalho do INDG termina em setembro e a estimativa é que resulte em R$ 40 milhões de economia e aumento da arrecadação.
O secretário Marco Cito preferiu não rebater as críticas diretamente. ''Meu trabalho no Procon, na Secretaria de Gestão e de Governo sempre foi dentro da legalidade. E tenho a confiança do prefeito.'' André Nadai não foi localizado pela reportagem na última sexta-feira e também ontem.

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