São Paulo - O diretor do Instituto Sensus, Ricardo Guedes, considerou, ontem, que o crescimento de sete pontos porcentuais do candidato à Presidência, senador José Serra (PSDB/PMDB), nas pesquisas do instituto ocorreu por causa de três motivos: o ‘‘esquecimento’’ do caso Ricardo Sérgio, a indicação de Rita Camata (PMDB-ES) para vice do tucano e a instabilidade do mercado financeiro. Na pesquisa divulgada no dia 24, o Sensus aponta o candidato Luiz Inácio Lula da Silva (PT) na frente, com 36,1% das intenções de voto, seguido por Serra, que tem 20,9%.
Nas sondagens de maio, Lula tinha 40,1% e Serra, 13,3%. Na época, o tucano ficava atrás do candidato do PSB à Presidência, Anthony Garotinho, que tinha 16,5% e que, agora, aparece com 13%.
Segundo Guedes, a rodada de entrevistas em maio foi realizada entre os dias 19 e 23, bem no auge das denúncias de propina envolvendo o ex-caixa de campanha de Serra, Ricardo Sérgio de Oliveira. ‘‘Dez, quinze dias depois, outros institutos foram a campo e registraram a recuperação do Serra, porque o caso sumiu da imprensa.’’
Também contribuiu para a guinada do tucano nos índices do instituto a indicação de Rita para sua vice, feita no dia 22 de maio. De acordo com Guedes, o levantamento de campo do mês passado não pôde registrar a repercussão do fato, uma vez que foi concluído no dia 23. E, finalmente, a agitação do mercado financeiro e a associação do nome de Lula à instabilidade impulsionaram o desempenho do candidato da coligação PSDB/PMDB. ‘‘O que se tem chamado de terrorismo eleitoral beneficia Serra.’’ Na avaliação do diretor, Serra atingiu ‘‘um teto’’, que não será rompido sem que haja fato político importante nos próximos meses.

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