Para deputados, Palácio subestima caso dos grampos
PUBLICAÇÃO
segunda-feira, 30 de abril de 2001
De Curitiba 
Deputados estaduais avaliam que o governo não está dando a devida atenção às denúncias de escutas telefônicas no Palácio Iguaçu. De acordo com eles, a cúpula do governo paranaense não deveria classificar o caso apenas como policial e renegar a dimensão política do assunto.
Para Augustinho Zucchi (PSDB), o governo deveria inclusive promover uma apuração interna, já que as denúncias dão conta de que vários secretários de Estado estariam sendo alvo de grampos. O caso dos grampos agrava ainda mais a falta de credibilidade, e vai ter reflexos na privatização da Copel, analisou. Segundo ele, a confiança só poderia ser recuperada se o governo aceitasse rever a posição em relação à venda da estatal.
A bancada de oposição tem posição fechada e defende a apuração das denúncias. Os oposicionistas são maioria na CPI da Telefonia e sabem que devem obter dividendos políticos do desgaste que o Palácio pode sofrer.
O líder do governo, Durval Amaral (PFL), defende que as investigações sejam conduzidas pela polícia e não pela CPI, que deveria se concentrar nas denúncias de irregularidades praticadas pelas operadoras de telefonia. O governador Jaime Lerner (PFL) também já afirmou que o assunto é de competência policial.
O presidente da Assembléia Legislativa, Hermas Brandão (PTB), defende que a CPI pode abordar as escutas telefônicas. A próxima reunião da comissão acontece amanhã, quando serão decididas as novas convocações. Os deputados querem ouvir o chefe da Casa Militar, coronel Luis Antônio Borges Vieira, o secretário de chefia de gabinete, Gerson Guelmann, e o ex-funcionário do Palácio Iguaçu Gilberto Maria Gonçalves. Eles devem comparecer na próxima semana.
Os próximos depoimentos estão marcados para quinta-feira. Foram intimados Jefferson Martins e Edgar Fontoura, técnicos da Telepar e diretores da Defense, empresa que executava serviços de varredura telefônica para o Palácio. O delegado Vinícius Augustus de Carvalho, do Centro de Operações Policiais Especiais (Cope), também foi convidado. Os deputados querem saber por que João Batista Cordeiro foi preso, enquanto Gilberto Maria Ferreira não foi, apesar de ter sido armado um flagrante contra ele. (M.D.)


