Curitiba – Deputados da base aliada e da oposição ao governador Beto Richa (PSDB) na Assembleia Legislativa (AL) do Paraná disseram que as recentes trocas no primeiro escalão não devem interferir nas relações do Palácio Iguaçu com o parlamento. Na avaliação dos parlamentares, a composição do secretariado é uma prerrogativa do chefe do Executivo. É certo que as saídas de Fernando Xavier Ferreira (Educação), César Vinicius Kogut (comando-geral da Polícia Militar) e Fernando Francischini (Segurança), a última confirmada ontem, nove dias após a violenta repressão aos servidores que protestavam contra as mudanças na Paranaprevidência, irão permear os debates em plenário nas próximas sessões.
De acordo com o líder da oposição, Tadeu Veneri (PT), não é possível afirmar se as exonerações vão melhorar ou piorar a relação do governador com o funcionalismo. "Se ele atender aos pontos de reivindicação (no caso dos professores grevistas), teremos uma solução mais rápida e objetiva. Caso contrário, o impasse permanece". Segundo o petista, apesar de 20 dos 54 membros da AL terem votado contra a polêmica mensagem, ao invés dos seis ou sete oposicionistas costumeiros, é falsa a ideia de que a oposição ganhou capital político com o episódio. "Pelo contrário. Todos perderam com o que aconteceu." Ele lembrou ainda que até agora a bancada não conseguiu as 18 assinaturas para abrir as Comissões Parlamentares de Inquérito (CPI) do Endividamento e da Receita Estadual.
Conforme o líder do governo, Luiz Cláudio Romanelli (PMDB), como as medidas mais impopulares, frutos do chamado "pacote de austeridade", ou de "maldades", já foram todas tomadas, os ânimos tendem a se acalmar nos meses seguintes. "Entendo que há um sentimento de luto entre os professores. As pessoas se sentem agredidas, independentemente se estavam participando ou não dos acontecimentos. Mas isso vai passar", opinou. Vamos terminar o processo de negociação, com o fim das greves. Até o final de 2015 as receitas estarão equilibradas e os próximos anos serão melhores. Pelo menos no aspecto administrativo, o Estado vai viver um período bem bom de resultados", completou.

QUEDA

Na opinião de Romanelli, Francischini é "uma pessoa profundamente empenhada em tudo o que faz na vida" e "acabou vítima desse processo todo". O peemedebista admitiu, por outro lado, que a situação do delegado licenciado da Polícia Federal era mesmo complexa, tanto do ponto de vista da opinião pública, "que obviamente não tolera violência", como com os próprios comandantes militares, com os quais ele entrou em rota de colisão.
Vice-líder do governo na AL e presidente estadual do Democratas, Elio Rusch também elogiou o trabalho do agora ex-secretário. "A questão das saídas são administrativas, cabem ao Executivo. Mas tivemos avanços na segurança pública, com a diminuição brutal de assassinatos no Paraná", destacou.
No próximos dias, o deputado federal reeleito reassumirá seu posto em Brasília. Assim, o primeiro suplente da coligação, Osmar Bertoldi (DEM), terá de deixar a cadeira. A FOLHA procurou Bertoldi, no entanto, ele não atendeu às ligações até o fechamento desta edição. Rusch garantiu, entretanto, que por enquanto o DEM não irá reivindicar novos cargos no governo estadual. "Ninguém pode, nesse momento, por a faca no pescoço do governador. Temos de saber que vivemos uma crise; e não só no Paraná; é uma crise nacional, estabelecida", argumentou.

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