O presidente da Conferência Nacional dos Bispos do Brasil (CNBB), D. Jayme Chemello, disse ontem que o presidente Fernando Henrique Cardoso ‘‘deveria ter ficado quieto’’ em vez de acusar a oposição e a imprensa de criar um ‘‘clima de terror e fascismo insuportável no País’’. ‘‘Não sei se o caminho é falar mal de todo mundo. Para mim, é dialogar. O político deve dialogar, mostrar por que está agindo assim e agir de acordo’’, afirmou o religioso.
O presidente da CNBB criticou o fato de o senador José Roberto Arruda poder concorrer nas próximas eleições por ter renunciado antes da instauração do processo político de cassação do mandato por quebra do decoro parlamentar. ‘‘Lamentavelmente a lei permite (que a renúncia livre o parlamentar do impedimento futuro de disputar eleições). Não é ético. Não gosto disso, mas a lei faculta e acho que a renúncia já é uma punição grande.’’
D. Jayme comparou a situação dos dois senadores envolvidos no caso da violação do painel eletrônico – Arruda e Antonio Carlos Magalhães – a bandidos que se arrependem diante do juiz, mas em seguida voltam a praticar homicídio. ‘‘É como um bandido que mata, chega no juiz e chora, mas depois sai e mata de novo.’’ Ele afirmou ainda que ‘‘a renúncia não sana os pecados’’.
Ao ser indagado sobre a afirmação de FHC de que a CPI paralisaria o País, ele reagiu: ‘‘A corrupção solta paralisa mais do que a CPI. Temos que parar o carro da corrupção.’’ A CNBB enviou ontem carta a entidades civis, como a OAB e a Associação Brasileira de Imprensa (ABI), anunciando que apoia a iniciativa de realizar uma investigação simbólica, chamada Comissão Popular de Inquérito.

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