Para D. Jayme, presidente deveria ter ficado quieto
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quinta-feira, 24 de maio de 2001
Silvana de Freitas Agência FolhaDe Brasília 
O presidente da Conferência Nacional dos Bispos do Brasil (CNBB), D. Jayme Chemello, disse ontem que o presidente Fernando Henrique Cardoso deveria ter ficado quieto em vez de acusar a oposição e a imprensa de criar um clima de terror e fascismo insuportável no País. Não sei se o caminho é falar mal de todo mundo. Para mim, é dialogar. O político deve dialogar, mostrar por que está agindo assim e agir de acordo, afirmou o religioso.
O presidente da CNBB criticou o fato de o senador José Roberto Arruda poder concorrer nas próximas eleições por ter renunciado antes da instauração do processo político de cassação do mandato por quebra do decoro parlamentar. Lamentavelmente a lei permite (que a renúncia livre o parlamentar do impedimento futuro de disputar eleições). Não é ético. Não gosto disso, mas a lei faculta e acho que a renúncia já é uma punição grande.
D. Jayme comparou a situação dos dois senadores envolvidos no caso da violação do painel eletrônico Arruda e Antonio Carlos Magalhães a bandidos que se arrependem diante do juiz, mas em seguida voltam a praticar homicídio. É como um bandido que mata, chega no juiz e chora, mas depois sai e mata de novo. Ele afirmou ainda que a renúncia não sana os pecados.
Ao ser indagado sobre a afirmação de FHC de que a CPI paralisaria o País, ele reagiu: A corrupção solta paralisa mais do que a CPI. Temos que parar o carro da corrupção. A CNBB enviou ontem carta a entidades civis, como a OAB e a Associação Brasileira de Imprensa (ABI), anunciando que apoia a iniciativa de realizar uma investigação simbólica, chamada Comissão Popular de Inquérito.


