Para CPI, pista contribuiu para acidente
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terça-feira, 18 de setembro de 2007
Ana Paula Ribeiro<br>Folhapress 
Brasília - Embora não tenha sido fator determinante, as condições da pista do aeroporto de Congonhas (zona sul de São Paulo) contribuíram para o acidente com o vôo 3054 da TAM, ocorrido no dia 17 de julho e que causou 199 mortes. A constatação é do deputado Marco Maia (PT-RS), que apresentou ontem as informações sobre infra-estrutura aeroportuária do relatório final da Comissão Parlamentar de Inquérito (CPI) do Apagão Aéreo.
''Embora as investigações ainda não tenham sido concluídas, cresce a impressão de que a situação do piso da pista de Congonhas, no momento da aterrissagem, não teve contribuição determinante para o acidente, sem contudo, deixar de ter sido, sim, um dos fatores contribuintes para aquela tragédia'', afirma o documento.
O deputado lembra em seu relatório que a pista, no dia do acidente, não possuía ranhuras (''grooving'') e é curta (1.940 metros). Além disso, não possui áreas de escape nas cabeceiras.
Maia questiona o fato de um aeroporto com tantas deficiências ter se transformado em um centro de distribuição de vôos (''hub''). Para ele, faltou um Plano Aeroviário Nacional e, por essa razão, a malha aérea foi configurada de acordo com os interesses das empresas.
''A utilização intensiva de Congonhas decorreu da falta de um planejamento estratégico do transporte aéreo civil, a partir do início dos anos 90, da falta de investimentos do poder público em sistema de transporte eficiente entre o centro da cidade e o aeroporto de Guarulhos (Grande São Paulo) e da omissão das autoridades do setor aéreo que permitiram movimentos em quantidade crítica para um aeroporto localizado dentro da malha urbana e com diversas peculiaridades no que se refere às questões de segurança operacional'', ressalva o deputado.
O relatório final da CPI do Apagão foi dividido em cinco partes. A primeira delas, sobre infra-estrutura aeroportuária, tem 127 páginas e passou por leitura ontem na comissão.
Os demais temas serão controle do espaço aéreo, acidentes dos vôos 1907 da Gol e do 3054 da TAM, marco regulatório e conclusões finais e passarão por leitura na CPI até quinta-feira. Na ocasião, os deputados que fazem parte da comissão poderão fazer intervenções e pedir vistas do relatório.


