Brasília - Parlamentares da CPI dos Correios afirmaram ontem que o rombo nos cofres públicos por causa de irregularidades nos governos Luiz Inácio Lula da Silva (PT) e Fernando Henrique Cardoso (PSDB) pode ser maior do que os R$ 2,2 bilhões revelados ontem. Também se mostraram ''impressionados'' com a dimensão dos números.
Ontem, a Agência Estado divulgou levantamento com base em auditorias do Tribunal de Contas da União (TCU) e da Controladoria-Geral da União (CGU) que apontam irregularidades de R$ 2,2 bilhões em contratos do governo federal. Todos os relatórios computados foram realizados na esteira do escândalo do mensalão e enviados à CPI dos Correios.
O levantamento também levou em conta auditorias da CPI dos Correios nos fundos de pensão. Entre outras irregularidades, os técnicos constataram fraudes, superfaturamentos, pagamentos por serviços não comprovados e conluios.
Para um dos integrantes da CPI, senador Alvaro Dias (PSDB), o tamanho do prejuízo aos cofres públicos é ''escandaloso''. ''É algo que choca, ainda mais porque o número, ao final dos trabalhos da comissão, será certamente maior'', assegurou. ''É impossível avaliar o tamanho real da corrupção no governo, porque a CPI não tem instrumentos suficientes para descobrir todos os danos'', lamentou.
Segundo o senador, os 122 auditores do TCU a serviço da comissão têm feito um trabalho ''competente'', apesar das limitações do órgão o tribunal não pode quebrar os sigilos dos investigados. ''Para uma investigação ainda mais profunda, precisaríamos da colaboração da Receita Federal e de outras instâncias do governo, algo que não ocorre justamente porque os casos de corrupção envolvem a gestão Lula'', criticou.
Ele também lembrou que é difícil calcular o tamanho das irregularidades, devido a questões de ordem técnica. ''Isso fica muito claro nas investigações sobre as perdas dos fundos de pensão e nas apurações sobre concessão de crédito consignado'', ponderou.

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