O delegado-corregedor da Polícia Civil do Paraná, Paulo Brenny, afirmou em Londrina que o investigador Paulo Roberto Oliveira deve ter algum tipo de desvio psicológico e sofrer de paranóia – psicopatia caracterizada por aparecimento de ambições e delírios de grandeza. Ouvido pela CPI do narcotráfico, Oliveira denunciou, em Foz do Iguaçu, o envolvimento de vários delegados paranaenses com o tráfico internacional de drogas.
‘‘Nunca vi o Paulo Oliveira, não o conheço pessoalmente, por isto não quero fazer acusações contra ele. Mas as denúncias que ele fez sobre os delegados, e que causaram abalo em toda a Polícia do Paraná, não tem o menor fundamento. É uma calúnia’’, ressaltou o corregedor Brenny, que ouviu em Londrina cerca de 20 pessoas denunciadas por Oliveira como envolvidas no assalto à transportadora de valores Proforte, em setembro do ano passado.
Entre os acusados em Londrina estão o delegado-chefe da 10ª Subdivisão Policial (SDP), Wanderci Corral Fernandes, o delegado-operacional Valdir Abrahão da Silva e o superintendente Admílson Batista.
‘‘Estou convencido de que as denúncias são infundadas. O Paulo Oliveira até relata fatos que realmente ocorreram, mas não nas circunstâncias em que estão sendo contados na versão dele. Os fatos não batem. Não há qualquer prova concreta de que houve participação ou conivência dos policiais no assalto da Proforte. E nem que eles tenham recebido propina dos assaltantes’’, comentou Paulo Brenny.
A quadrilha que assaltou a empresa transportadora de valores era formada por cerca de 15 homens fortemente armados e liderada por Moacir Borelli, que está foragido. Ela teria levado cerca de R$ 4 milhões, dos quais R$ 500 mil teriam sido usados para corromper policiais civis que teriam facilitado a fuga, de acordo com as denúncias de Paulo Oliveira. Ele trabalhou como investigador no 2º Distrito Policial de Londrina por cerca de um ano, transferido de Foz do Iguaçu, onde também denunciou delegados.
Na quinta e na sexta-feira da semana passada, Brenny ouviu as últimas oito pessoas envolvidas na denúncia em Londrina. Convencido de que não há sequer sinais de participação dos policiais no maior assalto de Londrina nos últimos anos, ele vai, nesta semana, repassar o material colhido nos depoimentos para a delegada Charis Negrão Tonhozi. Ela preside as investigações da Corregedoria sobre o caso.
Brenny não quis prever se o relatório final da delegada-corregedora proporá o arquivamento do processo e nem adiantou que tipo de penalidade Paulo Oliveira – que está ‘‘encostado no RH em Curitiba’’ – poderá sofrer. Em Londrina, Brenny participou ainda de um debate com o coordenador do Fórum Nacional de Ouvidores de Polícia, Benedito Domingos Mariano, que veio de São Paulo a convite do Centro de Direitos Humanos.

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