Para coordenador do MPE, comodismodo eleitor é desafio a ser combatido
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quinta-feira, 09 de agosto de 2018
Vitor Struck<br>Reportagem local 

Combater e esclarecer os boatos que em todo ano eleitoral voltam ao debate público, como por exemplo o de que a maioria de votos nulos anula as eleições, são dois dos objetivos do Ministério Público eleitoral com o lançamento do site Eleições 2018 (www.site.mppr.mp.br).
Segundo o coordenador dos promotores eleitorais do Paraná, Armando Antonio Sobreiro Neto, o maior problema é justamente este, quando há a falta de interesse da população em buscar informações verídicas.
"Os cidadãos acompanham essas atrocidades cometidas no âmbito de corrupção que atingem a todos e percebem que há notícias envolvendo este ou aquele político, mas muitas vezes isso, no momento da eleição, é deixado de lado pelo comodismo", afirma.
A página traz, além da atuação do MPE e o contato de todas as promotorias, um resumo do que é, de fato, votar consciente, e também traz orientações sobre os principais crimes eleitorais cometidos por candidatos, correligionários e os próprios eleitores.
Por mais básico que isto seja, é preciso levar em consideração que, segundo pesquisa de 2015 realizada pela Hello Research e divulgada na revista Época Negócios, quatro em cada dez brasileiros não sabem definir a sua própria posição política.
Para o coordenador do MPE, mesmo o segundo turno das eleições de 2016 tendo registrado 21,55% de abstenções dentre os eleitores aptos a votarem as expectativas para as eleições deste ano são boas.
"Eu acredito que este ano teremos, em parte, uma nova forma de votar, mas isso ainda em uma esfera da cidadania que tem mais acesso à informação. Aquele grupo social que dá de ombros para questões políticas, que encara política como algo negativo, só se vai mudar a realidade mostrando a eles que é importante participarem de todas as etapas do processo eleitoral, mas isso depende de cultura e que as novas gerações sejam preparadas. O próprio MP faz um trabalho nas escolas de levar a cidadania, mas isso é uma semente que vai demorar para dar frutos", afirma.
E pode demorar mesmo. Segundo uma pesquisa do próprio Ministério Público Eleitoral em parceria com a Secretaria Estadual de Educação, 14,1% dos alunos do ensino médio público afirmaram que venderiam o voto por R$ 1 mil. Mesmo considerando o moral dos outros 85,9%, o índice foi considerado alto pelo coordenador.
Crimes eleitorais
Neste ano, um vereador foi condenado por ter oferecido "kits" churrasco no valor de R$ 150 reais a eleitores de Arapoti, no centro-sul do Paraná, nas últimas eleições municipais. Mas além da compra de votos o MPE recomenda atenção com outras situações que também são vetadas pela Justiça. Boca de urna, derrame de santinhos, uso da máquina pública, inscrição fraudulenta, que é quando o eleitor se inscreve em dois municípios ao mesmo tempo, são exemplos de crimes eleitorais.
Questionado se a postura de eleitores e candidatos vem melhorando, o coordenador eleitoral lembra que em eleições municipais tradicionalmente essas situações costumam ocorrer com mais frequência em comparação às eleições gerais. "Eu vejo que paulatinamente nós vamos evoluindo", avalia Sobreiro.
Outro crime eleitoral previsto pela legislação é a divulgação de pesquisa fraudulenta. "A renovação é difícil em parte por falta de informação e em parte por um certo comodismo do eleitorado em não perder um pouquinho do seu tempo para avaliar melhor a respeito da importância do que ele coloca lá na urna eletrônica. A compreensão que o momento do voto representa o futuro de gerações, me parece que falta civismo, de participação", afirma.


