Para Ciro, eleitor entenderá alianças
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quarta-feira, 26 de junho de 2002
Luciana Nunes Leal<BR>Agência Estado 
Rio de Janeiro - O candidato da Frente Trabalhista à Presidência da República, Ciro Gomes (PPS-PDT-PTB), disse ontem que o eleitor saberá entender as alianças regionais que serão realizadas se houver dignidade nesses encaminhamentos. Mais uma vez, ele confirmou o apoio da aliança ao candidato a governador de Minas Gerais Aécio Neves (PSDB) e ao governador de Pernambuco, Jarbas Vasconcelos (PMDB), à reeleição, os dois partidários do candidato a presidente José Serra (PSDB-PMDB). Questionado sobre a possibilidade de coligação com o candidato a governador Paulo Maluf (PPB), respondeu: Não vamos ofender ninguém. Essas especulações nunca tiveram a minha participação. Para Ciro, sua candidatura não será prejudicada com apoios a candidatos de legendas tão diferentes. O eleitor é o juiz superior de tudo. Se houver oportunismo, mesquinharias, o eleitor repudia, completou.
Em Pernambuco, a Frente Trabalhista (PPS, PTB e PDT) dividiu-se. O senador petebista Carlos Wilson fará aliança com o PT e o senador Roberto Freire, presidente do PPS, será candidato a deputado federal, aliado ao PMDB. Aplaudi a decisão do senador Roberto Freire. Jarbas Vasconcelos é a melhor alternativa. Para nós é importante fortalecer o que for melhor, pouco importam conveniências menores, disse.
Depois de almoçar com o presidente nacional do PDT, Leonel Brizola, no Rio de Janeiro, Ciro disse que o ex-governador está praticamente decidido a disputar uma vaga para o Senado. Embora tenha subido sete pontos na pesquisa eleitoral do Instituto Vox Populi, o candidato voltou a minimizar a importância desses levantamentos. Pesquisas feitas a tal distância das eleições tendem a revelar mais notoriedade do que preferência. O sentimento que a gente tem na rua é que a campanha engrenou. As pessoas viam nossa candidatura com um projeto mas que parecia não ter estrutura. Agora, temos uma ampla estrutura, com três grandes partidos, disse.
Mercado - Ciro considerou que não há nada mais previsível do que as oscilações do mercado. Segundo ele, o que tem determinado a subida ou descida do dólar é a oferta da moeda americana feita pelo Banco Central. No dia em que o Banco Central entra e torra US$ 350 milhões do povo brasileiro para os que têm que pagar dólar aos estrangeiros, o mercado acalma. No dia em que (o BC) pensa que acalmou, sai e não vende a ração de dólar, o dólar fica escasso e o preço aumenta, resumiu.
O candidato trabalhista defendeu o alongamento gradual, negociado, sem qualquer tipo de quebra de contrato dos prazos e do perfil da dívida interna. Ele reafirmou a intenção de, caso vença as eleições, elevar o salário mínimo para o equivalente a US$ 100 e renovou as críticas ao presidente Fernando Henrique Cardoso: O Plano Real era uma bela idéia jogada na lata do lixo em troca da reeleição.


