Para Ciro, é pura empulhação
PUBLICAÇÃO
terça-feira, 08 de setembro de 1998
Jô Pasquato Agência Estado 
O candidato do PPS à presidência Ciro Gomes disse que as medidas anunciadas ontem pelo governo federal são pura eNpulhação. O governo devia parar de fazer varejo e empurrar o problema com a barriga até as eleições, disse Ciro. Na opinião dele, é necessária a adoção de medidas profundas. Entre essas medidas estão a adoção de uma nova plataforma fiscal, um novo modelo tributário e uma nova forma de financiar a Previdência, disse Ciro.
Segundo o candidato, uma prova de que essas medidas não terão o efeito de ajustar as contas públicas é que elas prevêem um corte de R$ 4 bilhões para 98, enquanto que o déficit interno é de R$ 63 bilhões. Ciro propôs também a adoção da tributação no consumo. 0 candidato esteve ontem reunido com diretores da Associação Comercial de São Paulo, mostrando seu programa de governo.
CínicoEm caminhada ontem pelas ruas do centro de São Paulo, o candidato do PT à Presidência Luiz Inácio Lula da Silva chamou o presidente Fernando Henrique Cardoso de cínico. A afirmação do petista foi uma referência à propaganda política de televisão de FHC, na qual o presidente sustenta que o País não pode dar marcha a ré.
É muito importante dar marcha a ré quando o caminho que estamos seguindo não presta e é cheio de turbulências e de buracos, filosofou Lula. Eu fico imaginando se nosso querido herói Ayrton Senna pudesse ter dado uma marcha a ré, afirmou. Possivelmente ele estaria ainda hoje sendo campeão do mundo.
Ao se referir à crise dos mercados internacionais, o candidato classificou o governo FHC e sua equipe econômica de covardes. Segundo Lula, o dinheiro que saiu do País no mês de agosto é equivalente a cinco vezes o valor da Companhia Vale do Rio Doce. Daqui a pouco vai embora o dinheiro da Telebrás e o dinheiro que está faltando para educação, saúde, indústria e agricultura, afirmou.
O senador Roberto Requião (PMDB-PR) disse que não adianta estimular a exportação, mantendo uma alta taxa interna de juros e uma supervalorização da moeda. Isso dá pouca credibilidade, afirmou. Requião disse que o governo federal é contraditório ao dizer que vai controlar os gastos públicos, pois isso representa paralisar ainda mais a economia. É estranho que vá cortar R$ 5 bilhões em gastos, se o Brasil perdeu R$ 8 bilhões com a saída do dinheiro dos especuladores, na semana passada, afirmou. (Colaboraram Carla Franco/Agência Estado e Carmen Murara).


