Para cientista, é fundamental que políticos expressem a opinião
Já para o cientista político Ricardo Costa de Oliveira, professor do departamento de Ciência Política e Sociologia da Universidade Federal do Paraná (UFPR), o recuo de Marina com relação às pautas identificadas com bandeiras da comunidade LGBT comprometeu o apoio de setores da sociedade com cultura comportamental moderna, jovem e urbana. "Estes setores ficaram politicamente decepcionados quando ela mudou para atender grupos fundamentalistas e sectários", avalia.
Para o especialista, é importante que os candidatos definam politicamente o discurso. "Quem não toma posições por medo de desagradar pode acabar desagradando todo mundo", adverte.
Ele considera, também, que a sociedade avança mais rapidamente que a "cabeça dos políticos" com relação a temas considerados "tabu", como é o caso da descriminalização do aborto, casamento gay, criminalização da homofobia e regulação da maconha. "Essas discussões estão muito avançadas em outros países e uma hora vão ter que avançar no Brasil", afirma, reforçando que o caso do aborto, por exemplo, é uma questão de saúde pública. E cita o exemplo da Lei do Divórcio, que hoje é considerada "normal", para reforçar a importância da discussão. "Esta lei passou muito tempo causando polêmica até ser implementada."
Ao contrário da cientista política Alessandra Aldé, Oliveira considera "fundamental" que os políticos expressem a própria opinião sobre os temas polêmicos. "Caso contrário, a consequência será o desconhecimento e a falta de coerência entre os programas e o que vão implementar depois de eleitos." (C.A.)





