São Paulo - A cientista política Lúcia Hippólito afirmou ontem que muitas punições foram aplicadas nesses cinco meses de crise política. Lúcia mostrou-se bastante otimista. Segundo ela, do ponto de vista das apurações, o caminho ainda é longo. ''Muita coisa aconteceu. Três presidentes de partidos políticos perderam os cargos; vários deputados já renunciaram, vários estão a ponto de perder o mandato; diretorias de estatais inteiras caíram; dois ministros muito poderosos, como José Dirceu (ex-Casa Civil, atual deputado) e Luiz Gushiken (ex-Secretaria de Comunicação de Governo e Gestão Estratégica da Presidência da República, atual chefe do Núcleo de Assuntos Estratégicos), caíram. É, realmente, um espetáculo de punições sucessivas'', afirmou.
Para ela, no entanto, há várias questões que ainda devem ser solucionadas. ''Ainda não sabemos, com certeza, de onde veio o dinheiro que abastecia as contas de Marcos Valério (Fernandes de Souza, empresário). Ainda falta saber muita coisa. Quem é que recebeu esse dinheiro? Evidentemente, não foram só esses 18 (deputados envolvidos nas denúncias de corrupção)'', avaliou.
''Do ponto de vista da apuração, ainda há um longo caminho a percorrer'', acrescentou. Lúcia afirmou achar difícil Dirceu ficar imune e permanecer na Câmara dos Deputados.
Lúcia foi crítica com o presidente Luiz Inácio Lula da Silva. Difícil será, na avaliação de Lúcia, desassociar a estampa da crise. ''O processo de cassação vai romper o ano-novo. Esta campanha eleitoral está, irremediavelmente, contaminada pela crise e isso era tudo o que o governo não queria.''
A cientista foi dura também ao interpretar a postura do presidente em relação aos casos de febre aftosa no País. ''Mais do que uma postura defensiva, é uma postura ausente. Lula tem a característica de ausentar-se dos problemas'', disse.

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