Agência EstadoChirac e o presidente do Uruguai, Julio Sanguinetti: Montevidéu para capital do MercosulSÃO PAULO - O presidente francês, Jacques Chirac, não escondia sua satisfação no final de sua visita ao Brasil, convencido que os primeiros resultados, políticos e econômicos, estão acima de sua expectativa inicial. ‘‘Um balanço globalmente positivo’’, disse. Em grande parte isso se deve à própria globalização da economia, que aproxima as economias da União Européia e do Mercosul.
No plano político, daqui para frente, Chirac e o presidente brasileiro, Fernando Henrique Cardoso prometem consultas regulares sobre as questões fundamentais do planeta, a exemplo do que já ocorreu no ano passado, quando da presidência francesa do G7, o grupo dos sete países mais ricos. Na ocasião, Chirac enviou um emissário a Brasília em busca de sugestões para a síntese final da reunião do grupo. Agora, essas consultas, além de mais frequentes, serão iniciativas de ambos os lados.
Isso se deve, em grande parte, a um relacionamento cada vez mais próximo entre os dois presidentes, que têm pela frente mais ou menos o mesmo tempo de mandato, caso o presidente brasileiro consiga tornar efetiva sua reeleição. Outro aspecto positivo é que os representantes dos dois países não mascaram eventuais divergências, como é o caso, por exemplo, do acesso ao mercado agrícola europeu, uma questão sempre presente nas conversas diretas entre os dois chefes de Estado com os empresários e a própria imprensa.
Chirac deixou o Brasil convencido de que esse é um problema que precisa ser enfrentado, pois essa será sempre uma cobrança brasileira e do Mercosul, quando da negociação de espaços para os franceses na economia brasileira.
Os dois principais países do Mercosul, Brasil e Argentina,
têm queixas fortes em relação às barreiras agrícolas na União Européia, na maior parte das vezes levantadas pela França. Esse será um dos temas importantes a ser tratado pelo próprio presidente Fernando Henrirque, quando da passagem de Leon Britain, vice presidnete da Comissão Européia, por Brasília em abril, além da discussão do regime automotivo.
Ainda ontem, já no Uruguai, o presidente francês disse que aquele país é o que mais tem vocação para constituir a porta de entrada natural do Mercosul, durante uma entrevista coletiva conjunta com o presidente uruguaio, Julio Sanguinetti. Para Chirac, Montevidéu é a capital potencial do Mercosul, desempenhando o mesmo papel de Bruxelas na União Européia, sede administrativa da Comissão Européia. Montevidéu seria a ‘‘Bruxelas da América Latina’’, onde já está instalada a Secretaria-Geral provisória do Mercosul, embrião da sede administrativa do bloco.

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