Brasília A Caixa Econômica Federal divulgou nota ontem sobre o relatório do caso GTech classificando o documento de ''instrumento político-eleitoral''. Falando em nome da atual administração, ou seja, do presidente Jorge Mattoso, a Caixa diz na nota que há ''erros de informação, parcialidade diante do não aproveitamento do relatório do TCU (Tribunal de Contas da União).
O TCU, em decisão de dezembro, segundo a Caixa, considerou que ''todas as providências adotadas pela atual gestão da Caixa no relacionamento com a GTech foram adequadas''.
''Lamentavelmente a comissão (CPI), ao em vez de cumprir seu papel constitucional e a expectativa da sociedade brasileira de investigar de forma isenta os assuntos de que trata, acabará por aprovar peça eminentemente política, dissociada dos fatos exaustivamente investigados pelas autoridades'', diz ainda a nota.
Também por meio de nota, a GTech informou que o ''contrato com a Caixa sempre foi estabelecido de acordo com parâmetros legais''. A empresa também rebateu que tenha recebido dinheiro a mais pelos serviços.
''O contrato nunca foi lesivo à União. Pelo contrário, entre 1997 e 2004, as loterias online do Brasil arrecadaram um total de R$ 22,3 bilhões, valor 154% superior ao período anterior ao início do contrato''. Segundo a Caixa, na renovação em 2003, foi obtida uma ''redução de 15% dos preços praticados até então''.
Desde segunda-feira, a reportagem busca no Ministério da Fazenda uma resposta de Ademirson Ariovaldo da Silva e Antonio Palocci Filho sobre o relatório da CPI, mas não havia obtido resposta até o momento. O advogado Rogério Tadeu Buratti e Waldomiro Diniz negaram, em seu depoimentos, terem negociados propina com a GTech. Buratti diz que foi procurado pela empresa. Waldomiro alega ido falar com diretores após saber que seu nome estaria sendo usado indevidamente para loby.
Mauro Porto, advogado de Sérgio Cutolo, disse que o ex-presidente da Caixa sempre cumpriu as determinações do TCU, que nunca determinou o rompimento do negócio com a GTech. ''Ele sempre esperou a decisão do Tribunal'', afirmou Porto.
Por meio de nota, Emílio Carazzai informou que ''a leitura do relatório permite verificar deficiências técnicas flagrantes, a despeito do louvável esforço do relator''.
Segundo o ex-presidente da Caixa, ''certamente o pedido de vista deverá conduzir a um aperfeiçoamento radical, ou, na sua impossibilidade, a uma rejeição substancial, pelo menos no que diz respeito às gestões anteriores da Caixa Econômica Federal com relação ao tema.''

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