Curitiba Os principais candidatos ao governo do Estado fizeram duras críticas ao anúncio de realização de concurso público para professores, feito na segunda-feira pelo governador Jaime Lerner (PFL). Irresponsabilidade, demogagia e até desonestidade foram alguns dos termos utilizados pelos candidatos. Um deles, na verdade, ficará com o ônus do custo da contratação dos 13,6 mil professores.
Alvaro Dias (PDT) classificou o concurso como ''reprovável do ponto de vista ético''. Segundo ele, ''Lerner está fazendo cortesia com o chapéu alheio e em fim de festa''. Além disso, ele considera que o concurso também pode ser questionado juridicamente, já que está sendo realizado em período eleitoral. Se o concurso tiver validade, ele se compromete a contratar os aprovados conforme a necessidade e dentro do prazo de validade dois anos.
O candidato do PMDB, Roberto Requião, chegou a dizer que se eleito vai anular o concurso por contrariar o interesse público e causar prejuízo aos professores. Para ele, a seleção está sendo mal feita e em fim de governo é ''desonesta e pouco séria''. Se fosse o governador, ele disse que antes de promover um concurso ofereceria aos professores um curso de reciclagem.
Ainda segundo o peemedebista, Lerner deveria ter conversado com os possíveis sucessores para discutir se o lançamento do concurso é ou não oportuno. ''É mais uma jogada eleitoral do Lerner, como foi em 1998, quando ele reduziu o pedágio em 50% e depois de eleito aumentou em 116%.''
Para Rubens Bueno, que disputa o governo pelo PPS, o concurso ''não passa de demagogia irresponsável, típica de governos que buscam melhorar sua popularidade no apagar das luzes''. Ele frisou não ser contra o concurso, mas enfatizou que o próximo governo deve definir as questões relativas ao ensino. ''Depois de quase oito sem nomear estatutários, priorizando sempre a contratação de professores celetistas e de fazer um tremendo esforço para desmantelar a educação, o governo se sai com esta pérola da demagogia.''
Já o candidato do PT, Padre Roque Zimmermann, foi mais ameno. Disse que o concurso não é um presente de Lerner, mas uma conquista dos professores e que o próximo governador precisa assumir o compromisso de fazer a contratação. Ele acredita que o anúncio foi feito em função do protesto da categoria.
Questionado se achava a medida demagógica, Padre Roque respondeu: ''Mas o que o Lerner é, se não demagógico e irresponsável?'' Ele não acredita que o candidato do governo, Beto Richa (PSDB), seja beneficiado com a medida porque considera que os professores já estão escolados. ''Se eles se deixarem enganar mais uma vez, então não merecem nada melhor.''
A Folha tentou vários contatos com Beto Richa (PSDB), que tem o apoio de Lerner, mas ele se negou a atender, alegando compromissos de campanha.
O secretário de Estado da Comunicação Social, Deonilson Roldo, disse que os candidatos ''não têm que fazer críticas porque o concurso será realizado dentro do atual governo''. Afirmou ainda que o concurso é absolutamente legal e atende todas as exigências vigentes.

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