A pressão dos servidores da Sercomtel contra a revogação do plebiscito que impediu a venda da telefônica, bem como a repercussão do assunto junto à opinião pública, no início de 2006, parecem ter deixado marcas na Câmara de Vereadores de Londrina. Na sessão de ontem, parlamentares da base aliada e mesmo da oposição condicionaram à consulta pública uma eventual discussão sobre a estadualização da empresa. Para os próximos dias, o Município deve receber da Copel - sócia no grupo com 45% das ações, contra 55% da Prefeitura - a proposta de aporte de capital na parceria, com consequente transferência do controle acionário, ou compra total de ações.
Conforme a FOLHA noticiou ontem, tanto a diretoria de Planejamento quanto a vice-presidência da Sercomtel têm tocado um estudo de viabilidade financeira, jurídica e comercial que deve definir, em cerca de duas semanas, a proposta do Governo do Estado frente a parceria firmada em 1998.
Ontem, parlamentares consultados pela reportagem se mostraram contrários à tese defendida pelo prefeito Nedson Micheleti (PT), que tende para a transferência do controle acionário. ''Não concordo com a transferência; não mudaria nada. Ou se vende tudo, e com total apoio dos funcionários, ou não: mesmo porque, há certidões legais na Casa mostrando que, quando foram vendidas as primeiras cotas à Copel, todo o passivo gerado no futuro por decisões judiciais seria da Prefeitura. Posso fornecer isso ao prefeito, se ele quiser'', afirmou o presidente da Câmara, Sidney de Souza (PTB).
O vereador Orlando Bonilha (PR) adotou discurso semelhante ao do petebista. Para ele, que defende ''a venda em 100%'', a elevação da Copel a acionista majoritária não resolveria a situação deficitária da telefônica. ''De qualquer forma, temos que ter aval dos funcionários. Não quero mais entrar nessa bola dividida, nessa queda-de-braço. Ano passado foi muito desgaste para nós.''
Na avaliação do decano da Casa, Renato Araújo (PP), independente de haver aprovação ou não de servidores, o clima no Legislativo é de aceitação pelo que vier da Copel. ''Mas eu, mesmo, sou indiferente. até porque, venda ou transferência de ações, ao meu ver, são a mesma coisa'', resumiu. Colega de partido de Araújo, Marcelo Belinati afirmou que o ideal é aguardar uma proposta do Estado e analisar o aspecto legal da transação no que diz respeito à validade do plebiscito de 2001: ''Se a sociedade e os funcionários entenderem que esse é o caminho, tudo bem. Mas quem me garante que a sede da companhia permaneceria em Londrina?'', indagou.

mockup