Para Burko, atentado foi político
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quinta-feira, 03 de janeiro de 2002
Cláudia Carneiro 
Guarapuava O prefeito Vitor Hugo Burko (PSDB) não acredita que os tiros disparados contra a sua residênca, na madrugada do último dia 31, tenham sido usados para despistar a polícia. Para ele, não haveria lógica em atentar contra a vida do prefeito para disfarçar um assalto. O fato é muito grave e representa a consolidação de ameaças que se arrastam desde a campanha eleitoral, afirmou.
De acordo com Burko, os dois jovens, rendidos pelos assaltantes durante assalto em Curitiba e que que foram mantidos dentro do porta-malas do Vectra, disseram que os assaltantes pararam em algum lugar para pegar um homem e teriam falado em ratear um certo valor. Depois disso, o grupo disparou os tiros e deixou o homem em outro lugar. Tem muita coisa estranha nessa história. Mas que os crimes estão ligados está bastante claro, comentou.
O prefeito mostrou um documento enviado ao Ministério Público, onde relata que, no final de 2000, foi chamado pelo comando da Polícia Militar, em Guarapuava, para ser informado sobre a existência de uma pessoa contratada para tirar a sua vida. Já durante a campanha, corriam comentários pela cidade que se Burko ganhasse não assumiria ou se assumisse não terminaria o mandato. Por isso, não aceito explicações simplistas. Quero uma investigação a fundo.
Para Burko as suspeitas do atentado recaem sobre seus adversários políticos. Apesar de não citar um nome durante a entrevista à Folha, o seu principal adversário político é o deputado Luiz Fernando Ribas Carli (PPB), contra o qual, há pouco dias, o prefeito entrou com pedido de responsabilização criminal e eleitoral. Carli teria sido o autor da encomenda de panfletos difamatórios utilizados na época da campanha. Como os impressos não foram pagos, a gráfica entrou com uma ação de cobrança. O deputado teria ido ao Fórum para fazer um acordo para quitar a dívida.
Ele reconheceu que os panfletos foram feitos a seu mando. Com isso pode ser responsabilizado eleitoralmente e também na esfera civil por danos morais causados às pessoas atacadas. E isso também prova a existência de um caixa 2 de campanha, já que os gastos não foram declarados ao TRE, complementou.
Burko cobra a apuração dos responsáveis pelo envolvimento das polícias Civil e Militar na última campanha eleitoral, quando, segundo ele, a 14ª Subdivisão Policial foi transformada em palanque eleitoral. Vieram oficiais de Curitiba para coordenar a campanha do meu adversário, destacou, isentando o atual delegado-chefe, Lino Lopes, de qualquer envolvimento. O prefeito não vê importância da nomeação de um delegado especial para acompanhar o caso neste momento, como sugeriu a cúpula do PSDB.
O prefeito não pediu proteção policial, mas reforçou a segurança pessoal e passou a tomar alguns cuidados especiais. Burko sai de férias hoje e, em companhia da esposa e do filho, deve passar alguns dias fora da cidade.


