Os argentinos acham os brasileiros mais simpáticos e divertidos do que confiáveis e acreditam que os benefícios do Mercosul (Mercado Comum do Sul) são maiores para o Brasil do que para a Argentina. Apesar das semelhanças dos processos de estabilização dos dois países, cerca de 40% dos argentinos não têm opinião formada sobre a situação econômica e o governo brasileiros. Esses são alguns resultados da pesquisa de opinião pública sobre a imagem do Brasil na Argentina, encomendada pelo Itamaraty.
A relação entre os dois países, hoje, está mais marcada pela parceria do que pela rivalidade de outrora. Para 36% dos argentinos ouvidos, o Brasil e a Argentina são parceiros; 31% acham que a ênfase está na amizade; outros 17% pensam que se trata de duas nações irmãs e somente 9% ainda vêem rivalidade. Os argentinos também estão satisfeitos com os reflexos da melhoria da economia brasileira: 72% acham que a repercussão foi muito boa. E não é para menos: em 1997, o déficit comercial do Brasil com a Argentina foi de US$ 1,3 bilhão.
‘‘O samba reflete o que são os brasileiros; o tango, mais amargo, os argentinos. Mas é evidente que nós gostamos da alegria de vocês, que têm a música para ajudar a viver’’, disse hoje a coordenadora da pesquisa, Paula Montoja, da Mora y Araujo Noguera & Asociados, ao divulgar os dados sobre a primeira fase do trabalho, realizado com 600 pessoas. A segunda etapa vai aprofundar a avaliação do público em geral, pois está sendo direcionada a formadores de opinião - empresários, políticos, jornalistas, artistas.
Para 53% dos argentinos, as primeiras idéias que vêm à cabeça quando ouvem a palavra Brasil é praia, turismo e clima tropical, seguidas de alegria e Carnaval. Somente 14% fazem associação com a pobreza e 11% relacionam o País com Pelé e Ayrton Senna. A pesquisa também detectou que entre os sentimentos dos argentinos em relação aos brasileiros, a simpatia está acima da confiança - 56% contra 42%. Mesmo assim, Montoja considera esse resultado positivo, pois o nível de desconfiança ficou abaixo da confiança, com 37% do universo pesquisado.
Na análise da coordenadora da pesquisa, é normal que entre dois países sócios - como o Brasil e Argentina no Mercosul - exista um certo grau de desconfiança. ‘‘Há uma disputa de interesses’’, enfatizou Montoja. Segundo ela, o poder de influência do Brasil nas regras do Mercosul justifica a opinião dos argentinos sobre quais dos dois países ganha mais com o bloco regional. Do total ouvido, 40% acham que o mais beneficiado é o Brasil e somente 7% acreditam no contrário. Mesmo assim, 66% dos argentinos defendem a presença de seu país no Mercosul.
Quando perguntados sobre o governo brasileiro, 43% dos argentinos não souberam responder. Outros 24% consideram o desempenho do governo Fernando Henrique Cardoso regular, 14% mal e muito mal, e 19%, bom ou muito bom. O ministro Valdemar Carneiro Leão, do Itamaraty, disse que ‘‘nada marcantemente negativo foi identificado na imagem do Brasil e dos brasileiros e nem na relação entre os dois países’’.(AE)

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