Brasília - O governo Dilma Rousseff, mesmo atravessando um momento de baixa popularidade, adotou a velha tática da ameaça de mexer em vantagens para garantir o voto favorável dos aliados ao pacote de medidas provisórias do ajuste fiscal, que começa a ser analisado hoje pelo plenário da Câmara. Durante o dia, em reuniões e entrevistas, o Palácio do Planalto deu o recado: quanto maiores as alterações nas MPs que restringem acesso a benefícios trabalhistas e previdenciários (665 e 664), maior o corte temporário no orçamento dos ministérios comandados pelos partidos aliados.
Uma das maiores preocupações do Planalto é garantir o apoio público do PT na aprovação das medidas. Desde o início do ajuste, as mudanças nas regras de benefícios trabalhistas e previdenciários sofreram forte resistência da bancada petista. Michel Temer pediu ontem que o PT "se dedique por inteiro" a votar a favor das propostas.
O primeiro a transmitir publicamente o recado do contingenciamento foi o ministro da Secretaria de Comunicação Social, Edinho Silva, ao final da reunião de Dilma com dez ministros. Segundo Edinho, haverá "impacto sobre o contingenciamento" caso o ajuste fiscal aprovado pelo Congresso não seja o pretendido pelo Planalto. O vice-presidente e novo articulador político do governo, Michel Temer, foi mais explícito. "Se não houver um ajuste, o contingenciamento será muito radical", avisou Temer.

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