O Tribunal Superior Eleitoral (TSE) anunciou oficialmente ontem às 20h04 o nome da presidente eleita Dilma Rousseff (PT). Ainda que a posse aconteça apenas em 1º de janeiro de 2011, Estados que serão governados pela oposição, como o Paraná de Beto Richa (PSDB), terão já a partir de agora a missão de dialogar e garantir uma articulação política que estabeleça as pontes com o governo federal. A avaliação é de cientistas políticos, ouvidos pela FOLHA, finalizada a apuração que, mais uma vez, mostrou um eleitor paranaense na contramão do resultado nacional: se dependesse do Estado, José Serra (PSDB), com 55,44% dos votos, teria sido o eleito, contra 44,55% da petista.
Para o professor de Ética e Filosofia Política da Universidade Estadual de Londrina, Clodomiro Bannwart Junior, o fato de os executivos federal e estadual serem comandados por forças políticas antagônicas não deverá trazer reflexos negativos ao Estado. Ele lembrou que Estados com eleitorado expressivo - como São Paulo, com Geraldo Alckmin (PSDB), e Minas Gerais, com Antonio Anastasia (PSDB) - também não elegeram aliados de Dilma.
''A oposição é bastante significativa em vários outros Estados, não só no Paraná. Assim, a presidente não poderá ter uma relação diferenciada com quem é ou não da base; terá de haver igualdade'', sugeriu. Bannwart Junior frisou que, em relação ao primeiro turno, a oposição ganhou espaço. ''Do ponto de vista da democracia isso é até bom, pois dá um peso e um contrapeso bastante interessante. Mas esse bipartidarismo PT e PSDB que vimos, acredito, é mais um panorama de momento, da campanha - o perfil do eleitorado nas urnas não tem interferência direta na administração do novo governo, até porque o perfil econômico desses estados é muito significativo para o País.''
Já o professor de Ciência Política na Universidade Federal do Paraná, Emerson Cervi, apontou que o desempenho tucano no Estado, ''muito significativo, e em boa parte graças à figura do Beto Richa'', é uma etapa encerrada. ''Mas, na administração do Estado, ele vai precisar do governo federal; essa relação vai depender muito de quão dispostos a conversar estão os dois lados, ou o mais prejudicado será o Paraná'', considerou. ''É fato que a presidente tem maioria tranquila no Congresso - não precisará governar tanto com governos de oposição. Na situação estadual, no entanto, vai ser crucial a articulação política do Beto em não fechar as portas''.

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