Para o cientista político Mário Sérgio Lepre, o combate à corrupção passa por uma mudança na estrutura do poder público. Só no Executivo Federal, são abrigados mais de 30 mil cargos de livre nomeação. ''Concordo com o fato de que não recorremos aos meios legais para denunciar os desmandos realizados na esfera pública, mas a questão é outra. A distribuição clientelista desses cargos gera corrupção. Não adianta a denúncia na base, haja vista que a própria inoperância do Estado condena a denúncia ao esquecimento. Relações promíscuas entre setores que controlam o Estado geram esta letargia e inoperância'', avaliou.
Segundo Lepre, a reforma do Estado diminuiria o custo país, reduzindo a corrupção. ''O que precisa ser feito é criar coragem política para atacar o corporativismo vampiresco que toma conta do Estado. Para isso é necessário uma reforma do próprio Estado, começando pelo corte de cargos comissionados. Esta deveria ser a agenda para as eleições de outubro.''
O professor de Ciências Políticas da Universidade Federal do Paraná (UFPR), Ricardo Oliveira, considera que as denúncias são importantes para o processo democrático. ''Cada denúncia é muito positiva. No atual governo federal várias CPIs foram extremamente importantes, coisa que não se repetiu em alguns estados como São Paulo. Não houve nenhuma CPI investigando o Executivo. Não quer dizer que seja mais ou menso corrupto, mas mais ou menos investigado'', disse. (C.O.)

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