Brasília – Para os advogados dos envolvidos na denúncia do mensalão do DEM, a demora no oferecimento da denúncia por parte do Ministério Público Federal (MPF) serve para mostrar a falta de provas contra seus clientes. Eles temem que o MPF assuma uma postura "denuncista", apenas para respaldar as acusações que surgiram no início do inquérito, que completou dois anos de tramitação no Superior Tribunal de Justiça (STJ), no sábado (24).

Para Nélio Machado, advogado do ex-governador José Roberto Arruda, o caso é inconsistente e não há provas contra seu cliente. "Quem sabe não foi por isso que até hoje não teve denúncia? Houve uma prisão desnecessária, abusiva e ilegal e tinha que ter prova. Se vier agora, está atrasada um ano e oito meses", afirma o advogado. Arruda foi preso em 2010, sob acusações de tentativa de suborno de testemunhas.

O trabalho do MPF também é visto com desconfiança pelo advogado do ex-governador Paulo Octávio, Antônio Carlos de Almeida Castro. Ele afirma que a Polícia Federal não encontrou qualquer indício contra seu cliente e que não há por que o Ministério Público acusá-lo na denúncia que chegará ao STJ.

"Acho que o Ministério Público agiu de forma tão leviana e irresponsável durante dois anos, em que não concluiu nada, que não terá dignidade de pedir a absolvição. Pode ser que denuncie só para justificar o gravame que ele já fez em relação a algumas pessoas, inclusive ao Paulo Octávio".

A advogada do ex-secretário de Relações Institucionais do DF, Durval Barbosa, Margareth Almeida, afirma que seu cliente, delator do esquema, não está frustrado com a demora no encaminhamento da denúncia. "A gente sabe que devido às condições das pessoas envolvidas, o Estado dificilmente conseguiria alcançar todos os fatos que ele relatou sem a delação, e sempre com provas. É natural que, após esse momento, haja investigação para se buscar mais, para o Estado estar mais seguro."

Apesar de os termos do acordo de delação serem sigilosos, a advogada afirma que seu cliente está confiante na absolvição. "Não existe outra alternativa, senão o perdão judicial", prevê.

Procuradoria

A procuradora responsável por acusar os envolvidos no esquema de corrupção no governo do Distrito Federal (DF), Raquel Dodge, garante que os dois anos de investigação, liderados pelo Ministério Público, não correram em vão. De acordo com Raquel, eles serviram para firmar a convicção que, de fato, havia um esquema de pagamento de propina instalado no DF, conhecido como mensalão do DEM e revelado pela Operação Caixa de Pandora, da Polícia Federal.

Em entrevista exclusiva à Agência Brasil, Raquel Dodge diz que espera oferecer a denúncia ao Superior Tribunal de Justiça (STJ) até o final do ano e afirma que não há risco de as provas serem anuladas, como vem ocorrendo em diversas operações da Polícia Federal, analisadas pela corte. De acordo com a procuradora, o rigor para garantir a legalidade das provas, foi, inclusive, um dos motivos da demora nas investigações.

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