Brasília - Sem fundamento, inepta, falha, vaga, ficcional, imprestável e até um panfleto partidário. Com estes argumentos, os advogados de parte dos 40 políticos, banqueiros, empresários e assessores acusados de envolvimento com o esquema do ''mensalão'' tentaram desqualificar ontem a denúncia apresentada pelo procurador-geral da República, Antonio Fernando de Souza, ao Supremo Tribunal Federal (STF). Para os advogados, Souza foi ''induzido pelos holofotes da mídia'' ao apresentar a denúncia e cedeu a ''modismos'' ao enquadrar parte dos acusados em crime de formação de quadrilha.
''Vi afirmações vagas sem qualquer individualização de conduta. Chama meu cliente de chefe de organização criminosa e não fala quais as condutas por ele praticadas. Essa denúncia é uma peça de ficção'', disse o advogado José Luiz de Oliveira Lima, que defende do ex-deputado José Dirceu (PT-SP), apontado como o que chefia a ''quadrilha'', pelo procurador-geral da República. ''Meu cliente é um homem com 40 anos de vida pública sem qualquer mácula, sem qualquer mancha'', emendou.
''O meu cliente foi envolvido na denúncia por um simples capricho do procurador-geral. O procurador faz ilação de que o meu cliente praticou corrupção e peculato'', afirmou o advogado Luiz Fernando Sá e Souza, que trabalha para o deputado José Genoino (PT-SP), que, na época do escândalo do ''mensalão'', era presidente nacional do partido.
Uma das principais reclamações dos advogados foi a falta de tipificação da conduta individual de cada um dos suspeitos. ''Quando defendi perseguidos políticos, as denúncias pecavam por generalizações. Essa denúncia é um pouco assim: peca pela generalização'', afirmou o advogado José Carlos Dias, ex-ministro da Justiça do governo do ex-presidente Fernando Henrique Cardoso e advogado da direção e dos proprietários do Banco Rural. ''A denúncia deve ser rejeitada até como lição para o Ministério Público'', defendeu Dias, ao acusar Souza de modismo ao enquadrar os clientes dele no crime de formação de quadrilha.
''É difícil formular uma defesa porque não há individualização de condutas'', alegou o advogado José Antero Monteiro, que defende o empresário Cristiano Paz, sócio do empresário Marcos Valério Fernandes de Souza, apontado como operador do ''mensalão''. Para o advogado Marcelo Leonardo, que trabalha para Valério, as denúncias contra ele são ''improcedentes''.

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