Para advogado, Bonilha fez limpeza ética
O advogado Ronaldo Neves, que defende o ex-vereador Orlando Bonilha, afirmou que vai recorrer da decisão ao Tribunal de Justiça (TJ) porque o juiz não considerou o pedido de concessão dos benefícios da delação premiada. Segundo ele, este é um direito de quem colabora com as investigações, a exemplo do ex-vereador, que é réu confesso no escândalo. ''Independentemente da vontade do magistrado, a delação premiada deveria ser levada em conta na sentença. O meu cliente exerceu uma faculdade legal e merecia o benefício, ou do perdão legal, ou uma minoração susbtancial da pena'', afirmou. Para Neves, seu cliente teria colaborado com uma ''limpeza'' na Câmara Municipal. ''Vou buscar através de apelação. Há de se convir que os esclarecimentos prestados pelo Bonilha ajudaram a fazer uma limpeza ética na Câmara. 90% dos vereadores denunciados foram cassados pela opinião pública'', sustentou Neves. À época do escândalo, Bonilha disse que ele não era a única ''batata podre'' no Legislativo.
O ex-vereador Orlando Bonilha já havia sido condenado pela 8 Vara Cível de Lonrina por improbidade administrativa. Ele renunciou antes de ser cassado, foi acusado de exigir R$ 12 mil em propina do empresário Nelson Dequech para colocar em votação a mudança de zoneamento para a instalação de uma chopperia às margens do Lago Igapó.
O também ex-verador Sidney de Souza, que foi um dos absolvidos, declarou estar bastante satisfeito com a decisão. ''Eu acho que, a exemplo dos demais vereadores absolvidos, me sinto aliviado.'' Souza disse que foi vítima de grande constrangimento, mas que não pretende ajuizar nenhuma ação para ''cobrar'' repação de danos. ''É importante que a cidade tenha essa informação.
O advogado Dely Dias das Neves, que representa três dos seis absolvidos pela decisão - Jamil Janene, Sidney de Souza, Luiz Carlos Tamarozzi - disse que pretende utilizar a sentença para beneficiar os acusados na ação penal que ainda está em trâmite pela 3 Vara Criminal de Londrina. ''Ali também já estamos na fase final. Logo deve sair a sentença e estou fazendo a juntada dessa sentença. Dificilmente a juíza deve decidir de uma forma diferente. Pela análise dessa sentença podemos ver que não há provas concretas contra os absolvidos'', afirmou.
O promotor de Defesa do Patrimônio Público, Renato de Lima Castro, afirmou que também vai recorrer da decisão ao TJ. ''Embora o MP tenha ficado satisfeito com a condenação de alguns réus, a absolvição dos demais será objeto de recurso para o Tribunal'', afirmou. Os advogados dos outros envolvidos ex-vereadores enato Araújo e Osvaldo Bergamin (falecido) não foram localizados pela reportagem até o fechamento desta edição. (V.Z.)





