O senador Antonio Carlos Magalhães (PFL-BA) acusou ontem o presidente Fernando Henrique Cardoso de manobrar para impedir a instalação da Comissão Parlamentar de Inquérito (CPI) da Corrupção ao criar uma corregedoria destinada a investigar denúncias de irregularidades no governo. E, na avaliação de ACM, todo o esforço do governo poderá ser em vão: Fernando Henrique, segundo o ex-presidente do Senado, irá pagar ‘‘um preço’’ alto por não ter deixado a CPI funcionar.
‘‘O objetivo dessa corregedoria é sepultar a CPI, mas ainda acho que a Comissão tem chances vir a funcionar’’, disse ACM, ao argumentar que a maioria da população quer ver apuradas as denúncias de corrupção. A curto prazo, no entanto, ele não pretende dar o sinal verde para que os 15 deputados do PFL da Bahia assinem o requerimento da CPI.
‘‘Vamos tratar desse assunto com a mesma cautela que o PT tratou a sucessão na Câmara’’, ironizou. Na eleição para a presidência da Câmara, o PT ficou protelando sua definição sobre o voto no candidato pefelista, Inocêncio Oliveira (PE), e ao final acabou lançando candidato próprio, o deputado Aloizio Mercadante (SP).
A iniciativa do presidente Fernando Henrique de criar uma corregedoria deverá dificultar ainda mais a coleta de assinaturas pela oposição para a criação da CPI da Corrupção. Até o final da semana passada, 144 deputados e 25 senadores tinham assinado o pedido de abertura da CPI - são necessárias 171 assinaturas na Câmara e 27 no Senado. E, segundo os líderes da oposição no Senado, as chances de obter os 27 apoios na Casa são grandes.
O líder do PT no Senado, José Eduardo Dutra (SE), garantiu que o senador Amir Lando (PMDB-RO) assinará o documento, mesmo depois da decisão do PMDB de condenar a criação da CPI. A oposição também está confiante no apoio de outro peemedebista: o senador Ramez Tebet (MS). ‘‘Se aparecerem fatos relevantes, posso vir a apoiar a CPI’’, disse Tebet. ‘‘Mas do jeito que está não assino nada’’, emendou.

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