''É mais fácil a pessoa justificar a própria incompetência colocando o problema para os outros resolverem; a posição pessoal dele nem nos interessa. O que queríamos é que o prefeito, como líder da cidade, exercesse seu papel legal''. Foi essa a reação do presidente da Associação Comercial e Industrial de Londrina (Acil), Marcelo Cassa, às declarações feitas pelo prefeito Nedson Micheleti (PT) à FOLHA sobre a pirataria.
Cassa lembrou que muitos dos comerciantes autuados na Operação Capitão Gancho II, em julho do ano passado, e que não comprovaram a origem das mercadorias apreendidas, tinham alvarás concedidos pela própria Prefeitura. ''Eram empresas irregulares. E o porquê dessa situação ainda perdurar, na nossa avaliação, não é uma 'questão de tecnologia' (como colocara o prefeito, à reportagem): é fazer cumprir a lei. Se tem falta de postura, de interesse dele como líder da cidade, é outra história; a associação é que não pode ser conivente com o que é ilegal'', defendeu.
Empossado na presidência da Acil em junho passado, mas membro da diretoria há mais de uma década, Cassa, empresário do comércio varejista na cidade, ponderou que é ''uma irresponsabilidade'' a afirmativa de que produtos piratas são vendidos mesmo no comércio formal. ''Se isso existe, por que o prefeito não denuncia? Não seria muito mais digno como homem público que o fizesse?'', questionou.
Indagado sobre uma avaliação do setor aos oito anos que se encerram no próximo dia 31, o presidente da Acil lembrou que o prefeito é do partido do presidente da República, Luiz Inácio Lula da Silva, e aliado de primeira hora do governador do Paraná, Roberto Requião (PMDB) - só então, respondeu: ''Nessas condições, ele tinha a faca e o queijo na mão, mas não fez Londrina pegar carona no boom econômico dos últimos quatro anos. Foi uma atuação dentro da média dos últimos 20 anos, desde a gestão de Wilson Moreira, mas poderia ter sido muito melhor'', acredita. ''Se não fez mais, aí é questão de uma limitação de fazer'', resumiu.
Por outro lado, o empresário fez uma espécie de mea culpa: ''Nós, a sociedade, também temos nossa culpa por essa situação, pois o reelegemos e agora estamos passando por isso'', afirmou, para completar: ''Como consequência, porém, estamos conversando muito mais entre as entidades - isso trará uma união muito positiva'', aposta. (J.G.)

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