Paquistão testa míssil e agrava tensão
PUBLICAÇÃO
domingo, 26 de maio de 2002
Das agências 
Primeiro-ministro indiano, Atal Behari Vajpayee, exige fim das agressões contra militares na região da Caxemira e diz que paciência de seu governo está no limite
Islamabad O desafio permanente entre Índia e Paquistão sofreu ontem uma nova escalada, com o teste de um novo míssil balístico por parte de Islamabad, apesar das reprovações da comunidade internacional depois do primeiro teste, realizado na véspera. O teste, com sucesso, deste domingo foi realizado com um míssil terra-terra de curto alcance Hatf-III (Ghaznavi), capaz de transportar ogivas com uma grande precisão por 290 quilômetros, anunciou um comunicado oficial.
O presidente paquistanês, general Pervez Musharraf, cujo governo anunciou que as provas continuarão até terça-feira, felicitou a equipe de oficiais e seus subordinados por este sucesso destacado, acrescentou o texto. Por sua parte, em São Petersburgo (Rússia), o presidente norte-americano, George W. Bush, expressou ontem, antes de viajar a Paris, sérias reservas em relação ao novo teste de míssil paquistanês, mas pediu que não seja considerado pela Índia como uma provocação.
Na véspera, o Paquistão testou um primeiro míssil de alcance médio Hatf-V (Ghauri), capaz de atingir a Índia, quando o presidente Musharraf afirmava que seu país estava pronto para a guerra, embora não a desejasse. Não queremos a guerra, mas não a tememos. Estamos prontos. Que ninguém se engane, disse em uma reunião religiosa em Islamabad.
O governo indiano ridicularizou os testes feitos pelo Paquistão. Não nos impressionam estes testes, que são apenas uma encenação destinada à opinião pública paquistanesa, declarou o porta-voz do Ministério da Defesa, O. K. Bandyopadhyay.
O primeiro-ministro indiano, Atal Behari Vajpayee, exige do Paquistão que ponha fim às agressões contra o exército indiano na parte da Caxemira sob seu controle e afirmou do local onde passa suas férias que a paciência da Índia tem limite.
Em janeiro, a Índia testou o míssil Agni, capaz de atingir alvos a 700 quilômetros de distância, embora possua outros mísseis da mesma série que podem fazer alvo a mais de 2 mil quilômetros. O lançamento do Agni aconteceu depois que rebeldes islâmicos atacaram o Parlamento federal indiano, em um atentado no qual morreram mais de uma dúzia de pessoas.
Um milhão de soldados estão concentrados desde dezembro dos dois lados da fronteira entre Índia e Paquistão, principalmente na Caxemira, uma região do Himalaia que os dois países disputam desde 1947. Índia e Paquistão já tiveram três guerras, duas delas pelo controle da Caxemira.
Nova Délhi Pelo menos cinco pessoas entre elas uma mulher e duas crianças morreram na noite de sábado atingidas por disparos feitos por soldados paquistaneses na região himalaia de Caxemira, informaram fontes oficiais indianas. Há mais de uma semana, os soldados indianos e paquistaneses trocam disparos de maneira ininterrumpta ao longo da línha de controle que divide o território cachemir entre a Índia e o Paquistão.


