Primeiro-ministro indiano, Atal Behari Vajpayee, exige fim das agressões contra militares na região da Caxemira e diz que paciência de seu governo está ‘‘no limite’’
Islamabad – O desafio permanente entre Índia e Paquistão sofreu ontem uma nova escalada, com o teste de um novo míssil balístico por parte de Islamabad, apesar das reprovações da comunidade internacional depois do primeiro teste, realizado na véspera. O teste, com sucesso, deste domingo foi realizado com um míssil terra-terra de curto alcance Hatf-III (Ghaznavi), capaz de transportar ogivas com uma grande precisão por 290 quilômetros, anunciou um comunicado oficial.
O presidente paquistanês, general Pervez Musharraf, cujo governo anunciou que as provas continuarão até terça-feira, felicitou a equipe de oficiais e seus subordinados ‘‘por este sucesso destacado’’, acrescentou o texto. Por sua parte, em São Petersburgo (Rússia), o presidente norte-americano, George W. Bush, expressou ontem, antes de viajar a Paris, ‘‘sérias reservas’’ em relação ao novo teste de míssil paquistanês, mas pediu que não seja considerado pela Índia como ‘‘uma provocação’’.
Na véspera, o Paquistão testou um primeiro míssil de alcance médio Hatf-V (Ghauri), capaz de atingir a Índia, quando o presidente Musharraf afirmava que seu país estava pronto para a guerra, embora não a desejasse. ‘‘Não queremos a guerra, mas não a tememos. Estamos prontos. Que ninguém se engane’’, disse em uma reunião religiosa em Islamabad.
O governo indiano ridicularizou os testes feitos pelo Paquistão. ‘‘Não nos impressionam estes testes, que são apenas uma encenação destinada à opinião pública paquistanesa’’, declarou o porta-voz do Ministério da Defesa, O. K. Bandyopadhyay.
O primeiro-ministro indiano, Atal Behari Vajpayee, exige do Paquistão que ponha fim às agressões contra o exército indiano na parte da Caxemira sob seu controle e afirmou do local onde passa suas férias que a paciência da Índia ‘‘tem limite’’.
Em janeiro, a Índia testou o míssil Agni, capaz de atingir alvos a 700 quilômetros de distância, embora possua outros mísseis da mesma série que podem fazer alvo a mais de 2 mil quilômetros. O lançamento do Agni aconteceu depois que rebeldes islâmicos atacaram o Parlamento federal indiano, em um atentado no qual morreram mais de uma dúzia de pessoas.
Um milhão de soldados estão concentrados desde dezembro dos dois lados da fronteira entre Índia e Paquistão, principalmente na Caxemira, uma região do Himalaia que os dois países disputam desde 1947. Índia e Paquistão já tiveram três guerras, duas delas pelo controle da Caxemira.
Nova Délhi – Pelo menos cinco pessoas – entre elas uma mulher e duas crianças – morreram na noite de sábado atingidas por disparos feitos por soldados paquistaneses na região himalaia de Caxemira, informaram fontes oficiais indianas. Há mais de uma semana, os soldados indianos e paquistaneses trocam disparos de maneira ininterrumpta ao longo da línha de controle que divide o território cachemir entre a Índia e o Paquistão.

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