Roma - O Paquistão se dá o direito de usar arma atômica, já que o Exército e a Aviação indianos são cinco vezes maiores que os seus e, ‘‘em caso de emergência, poderia estar em jogo nossa sobrevivência’’, afirmou o enviado especial do presidente paquistanês na Europa, numa entrevista publicada ontem.
‘‘A arma atômica é dissuasiva, nossa posição é não utilizá-la, pois seria irresponsável, mas estamos prontos: a possibilidade extrema existe’’, acrescentou o general Jehangi Karamat.
O ex-chefe de Estado Maior chegou neste domingo a Roma para uma viagem diplomática, que o levará depois à França, Espanha e Dinamarca. ‘‘A tensão nunca foi tão grande. É maior inclusive que a registrada antes das três guerras da independência’’, afirmou, acusando a Índia de ter ‘‘realizado todas as etapas precedentes a um conflito armado, da mobilização de tropas à convocação de reservistas’’.
‘‘O perigo é muito concreto e por esta razão, o papel da diplomacia internacional é decisivo’’, disse.
Estimativa de mortesUma guerra nuclear entre Índia e Paquistão causaria pelo menos 20 milhões de mortos, estimou o ministro russo da Defesa, Serguei Ivanov, em uma entrevista publicada ontem pelo jornal Komsomolskaia Pravda, após voltar de uma visita a jPequim.
O ministro russo disse que concorda com as estimativas das autoridades chinesas.
‘‘Compartilho o prognóstico da China, que considera que em caso de escalada do conflito e da utilização da arma nuclear, morreriam imediatamente 12 milhões de pessoas, enquanto cerca de 7 milhões morrerão progressivamente, em consequência do ataque nuclear’’, declarou ivanov.
Nova acusação indianaO primeiro-ministro indiano Atal Behari Vajpayee acusou ontem o Paquistão de não manter sua palavra de suspender a militância na fronteira da Caxemira, e descartou qualquer possibilidade de conversas de paz. ‘‘Com o terrorismo se mantendo, o ambiente não é propício para conversas’’, disse o premiê em entrevista coletiva.

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