Almaty, CazaquistãoO presidente paquistanês, Pervez Musharraf, afirmou ontem em Almaty, a capital econômica do Cazaquistão, que estava disposto a iniciar um diálogo ‘‘sem condições’’ com o governo indiano, que por sua vez recusa todo contato bilateral e espera aproveitar a mediação de Moscou e Pequim para forçar Islamabad a impedir as incursões de grupos radicais islâmicos na Caxemira indiana. Os dois países, que há vários dias estão a beira de um conflito armado, possuem armas nucleares.
‘‘Não tenho nenhuma condição de exigir’’ um diálogo com a Índia, declarou Musharraf, no final de uma entrevista com seu anfitrião, o presidente cazaque Nursultán Nazarbaiev. Se houver condições, serão indianas, como deu a entender minutos antes o primeiro-ministro indiano Atal Behari Vajpayi depois de se reunir com o presidente cazaque.
Os dois políticos ‘‘naturalmente discutiram sobre a tensão no sul da Ásia, resultante do terrorismo transfronteiriço’’, afirmou Vajpayi. ‘‘Compartilhamos a opinião de que devemos enfrentar o terrorismo com firmeza’’, acrescentou, na véspera da inauguração, hoje, da Conferência sobre as Interações e as Medidas de Confiança na Ásia (CICA).
Esse fórum tem em pauta adotar a Ata de Almaty, na qual os 16 membros da CICA se comprometerão a ‘‘se negar’’ a dar proteção e abrigo aos terroristas’’.
Mas a Índia acusa o Paquistão de consentir nas incursões de grupos integristas islâmicos na parte indiana da Caxemira. O vice-ministro indiano das relações exteriores, Omar Abdulá, que acompanha Vajpayi, reiterou a posição de Nova Delhi, que recusa todo diálogo com Islamabad enquanto o Paquistão continuar, segundo a Índia, financiando e apoiando os grupos que atuam na Caxemira.

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