Índia e Paquistão prosseguiram ontem no caminho do apaziguamento, mas continuram reticentes em retirar a maior parte de suas tropas instaladas na fronteira, já que os dirigentes de cada país exigem do outro um passo como condição prévia e ninguém está disposto a se arriscar a tomar a iniciativa.
O Paquistão declarou ontem que começaria a desmobilizar suas forças uma vez que a Índia tenha iniciado formalmente seu próprio processo de retirada, segundo o porta-voz do ministério paquistanês das relações exteriores, Aziz Ahmed Khan. ‘‘Acredito que se trata de algo desejável que deveria ser realizado imediatamente’’.
Duas horas mais tarde, a Índia reiterou que não retirará a maior parte de suas tropas até o cessar definitivo das incursões rebeldes e o fechamento dos supostos campos de treinamento na Caxemira paquistanesa.
‘‘Enquanto não constatarmos o desaparecimento (desses campos), é muito cedo para falar de redução da escalada militar’’, declarou o porta-voz do ministério indiano das relações exteriores, Nirupama Rao.
Há alguns meses Nova Delhi afirma que combatentes islâmicos treinam na Caxemira paquistanesa antes de se infiltrar na parte indiana do território para fazer atentados.
Ontem, a Índia não fez mais que repetir o que vem dizendo: não haverá retirada significativa sem provas do desmantelamento das ‘‘infra-estruturas terroristas’’ no Paquistão.
Durante os últimos seis meses, cerca de um milhão de soldados estão lado a lado da fronteira indo-paquistanesa e da linha de separação entre as partes indiana e paquistanesa da Caxemira.
Ainda assim, as duas partes reconheceram que tinham conseguido avanços importantes durante os últimos dias para atenuar a tensão.
Islamabad destacou ontem que a tensão se reduzia e que Nova Delhi comemorava a ‘‘mudança perceptível na atitude do Paquistão’’.
Há dez dias, o presidente paquistanês Pervez Musharraf se comprometeu a por fim ‘‘de forma permanente’’ as incursões de combatentes islâmicos na Caxemira indiana, uma das principais exigências da Índia.
Depois, Nova Delhi anunciou a retirada de seus navios de guerra do mar de Omã, e Islamabad respondeu com um medida semelhante.
A Índia também levantou a proibição de que aviões civis paquistaneses sobrevoassem seu território e anunciou a nomeação de um novo embaixador em Islamabad.
Por outro lado, a violência separatista continuou na Caxemira indiana. Cinco rebeldes foram abatidos por soldados e dois civis assassinados por desconhecidos desde domingo à noite.

mockup