France-PresseCobrançaFernando Henrique recebe homenagem: pressão pela reforma agráriaO presidente Fernando Henrique Cardoso deverá ser questionado novamente hoje sobre a demora na realização da reforma agrária no Brasil. Desta vez, durante o encontro com o papa João Paulo II. Bispos ouvidos pela ‘‘Agência Folha’’ afirmaram que o papa tem questionado interlocutores brasileiros sobre a situação social no país. Ele tem dado especial atenção ao andamento da reforma agrária e à situação da distribuição de renda.
Apesar da cobrança na questão agrária, o papa deverá elogiar a estabilização da moeda no Brasil, mas também pedirá medidas concretas para conter o desemprego. A visita de FHC ao papa é a primeira em caráter oficial de um chefe de Estado brasileiro.
Apesar de se tratar de um encontro diplomático, o pontífice deverá usar sua condição de líder religioso para cobrar a reforma agrária no Brasil, considerado o maior país católico do mundo.
A visita de FHC deverá ser um pouco diferente da feita pelo então presidente José Sarney, em 1986, em caráter não-oficial. Na ocasião, o papa rezou uma missa para Sarney e membros de sua comitiva, o que não deve acontecer com FHC, uma vez que ele declarou não acreditar em Deus.
Além da reforma agrária e outros temas sociais, João Paulo II e FHC vão discutir a visita do papa ao Brasil, em 4 e 5 de outubro. Ele vai participar do 2º Encontro Internacional do Papa com as Famílias, e FHC deverá ir ao Rio para recepcioná-lo.
Uma reflexão sobre o papel que a democracia exige dos governantes foi o tema escolhido pelo presidente Fernando Henrique Cardoso para a aula magna proferida ontem na cerimônia em que recebeu o título de Doutor Honoris Causa da Universidade de Bolonha, uma das cátedras mais antigas do mundo.
O professor Giorgio Alberti, que sugeriu a entrega do título para Fernando Henrique, afirmou que o Plano Real contribuiu para tornar o Brasil mais livre e mais justo. O reitor Fabio Roversi Mônaco, no entanto, lembrou no discurso que, mesmo com a distribuição de 3 milhões de hectares para 100 mil famílias de trabalhadores rurais, a questão dos sem-terra continua a ser um problema grave e dramático no País, de difícil solução, embora seja um dos principais compromissos do presidente Fernando Henrique.
Um manifesto de 67 intelectuais de universidades italianas, jornalistas, escritores e professores pedindo empenho para resolver a questão dos sem-terra no Brasil será entregue na Embaixada do Brasil em Roma e ao presidente Oscar Luigi Scalfaro. O jornalista Giancarlo Summa, ex-correspondente do jornal ‘‘La Stampa’’ no Brasil, explicou que os intelectuais signatários do manifesto não são contrários à entrega do título ao presidente Fernando Henrique, mas pretendem chamar a atenção para ‘‘o fato de o Brasil ainda ter sérios problemas, principalmente o fundiário’’.

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