O ex-secretário de Fazenda de Maringá Luis Antônio Paolicchi, acusado dos desvios da prefeitura, conseguiu acumular um patrimônio avaliado pelo Ministério Público em R$ 15 milhões, mas este valor deverá ser multiplicado ao longo das investigações. Portador de uma possível cidadania italiana, Paolicchi teria fugido para Roma ou Milão desde o início de outubro. Ele teve os bens colocados em indisponibilidade, depois de ter sido denunciado pelo Ministério Público em ação civil pública por ato de improbidade administrativa.
Paolicchi, contabilista e segundo ele mesmo, ‘‘consultor de prefeituras’’, até julho último recebia um salário mensal de R$ 4 mil, mas possui 10 fazendas registradas em seu nome, com um total de 6.956 hectares. Oito das propriedades ficam nos municípios de Três Lagoas (MS). São elas: Fazenda San Marino 1, San Marino 2, Toca da Onça, Santa Laura Vicunha, San Martin, Briúza, Prata e Praiguás. Em Diamantina (MT) são duas fazendas, a Rio Brilhante e Behlla. Uma delas tem pista para pouso e decolagem.
O ex-secretário é proprietário de uma aeronave Lear Jet importada, com capacidade para seis passageiros, avaliada em R$ 4,9 milhões. Discreto e sem vida social ativa, Paolicchi viajava frequentemente para Miami e eventualmente ia também a Roma.
O MP apurou que existem no nome do ex-secretário duas empresas de aviação, a Luis Antônio Paolicchi Transportes aéreos e a Salles Táxi Aéreo. Paolicchi tem um hangar no Aeroporto de Maringá. Segundo informações da CPI Estadual do Narcotráfico, Paolicchi teria adquirido um helicóptero do empresário Hissan Hussein, suspeito de envolvimento com o crime organizado.
O patrimônio de Paolicchi também inclui participação majoritária na Mineradora de Águas Rainha, que comercializa a Água Mineral Safira, em Igaraçu (34 quilômetros ao norte de Maringá). A empresa valeria cerca de R$ 2 milhões.
Até o seu desaparecimento Paolicchi morava no edifício mais luxuoso de Maringá, o Maison Royale, em um apartamento de 450 metros quadrados. De acordo com informações de uma decoradora, cada um dos dois sofás custou R$ 20 mil. O ex-secretário também possui um apartamento de luxo em Curitiba. No Balneário de Camboriú ele seria dono de um apartamento de 446 m2.
A indisponibilidade dos bens atingiu os quatro veículos do ex-secretário. Ele tem uma caminhonete Ford F-1000 ano 98, um Jeep Cherokee 99, uma Saveiro 97 e uma caminhonete Ford F-4000 ano 96.
Dentre os bens listados pelo MP não consta a Chácara San Marino (mesmo nome das fazendas), de 4 mil m2. Situada na Estrada do Pinguim, na saída para Campo Mourão, a chácara, ornamentada por palmeiras imperiais, tem piscina, campo de futebol e heliporto. Segundo o caseiro, que se identificou apenas por Leônidas, Paolicchi seria proprietário da chácara há cinco anos. O caseiro negou a existêjncia de um heliporto na propriedade e afirmou que Paolicchi sempre vinha para o local de carro. Leônidas, que disse estar trabalhando para o ex-secretário há dois anos, garantiu que a última vez que o ‘‘patrão’’ esteve na chácara foi no dia 1º de outubro.
O desvio de R$ 2,6 milhões do caixa da prefeitura de Maringá teria ocorrido entre o final de 98 e meados de 99. Um total de 46 cheques da Caixa Econômica Federal veio parar nas contas do advogado Waldemir Ronaldo Corrêa, assessor de Paolicchi, o secretário afastado da Fazenda de Maringá Jorge Aparecido Sossai e da servidora Rosimeire Castelhano Barbosa. O dinheiro teria sido transferido para a conta de Paolicchi, no Banco do Brasil. Todos os acusados também tiveram os bens indisponibilizados pela Justiça.

mockup